Inception é um caso raro aonde a forma superar a substância é uma coisa boa. Claro que a história é engraçadinha, é tudo um sonho dentro dum sonho, e a mulher do Leonardo DiCaprio volta pra matar todo mundo, tipo um Ghost misturado com Instinto Selvagem e O Grande Dragão Branco. Mas é o jeito como esse enredo é narrado que mata pra mim. O filme te joga cenas lindas numa sucessão impressionante, sem nunca perder o ritmo, como uma bateria aonde o instrumentista não erra uma batida por quase 3 horas. É cuidadoso, bem pensado, trabalho ao extremo. É o ápice do cálculo no cinema, meio que uma conclusão lógica da brilhante, até aqui, carreira do Christopher Nolan.
Não foi lá muito premiado. Dificilmente também será lembrado como o clássico que é daqui alguns anos. É um daqueles filmes que fica numa zona meio cinza, com boa aprovação de público e crítica, mas talvez com boa aprovação demais. Não abre margem pra polêmica, tu não vai ver um Rubens Ewald Filho esculhambando o filme. Esse tipo de crítico pedante de cinema deve acabar considerando o filme como "bom", ou "meh". O ideal seria que eles não gostassem, pois se tem uma coisa que eu aprendi é que a qualidade de qualquer obra é inversamente proporcional ao quanto o Rubens Ewald Filho gostou.
O excepcional Space Is Only Noise do Nicolas Jaar também fica um pouco nessa zona do agrião. É extremamente calculado, muito bem realizado, e é novo. Por mais que você ache que Inception é plagiado daquele anime que eu esqueci o nome, meu, é anime sabe. Quem se importa? O Inception tem o DiCaprio pra alguns reclamarem, parece que tem gente que não chorou vendo Titanic. Eu não chorei. Lembro que foi meu primeiro contato com uma mulher sensacional, na cena que aparece os peitos da Kate Winslet. Tão irritantemente perfeita, talvez ela seja em grande parte responsável pela minha alma pornográfica.
Já no disco do Nicolas Jaar, muita gente não vai conhecer porque é um disco eletrônico, embora não seja eletrônico o suficiente pra ser trilha de festinha. É um disco experimental, ambiente, com idéias colocadas em forma de música de um jeito bem intimista. Eu nunca vou entender porque tem gente que implica com música eletrônica, preferindo timbres enfadonhos de guitarra de novo e de novo. Parece-me um desperdício. Música é música rapazeada, gostar só de rock é em grande parte preconceito. Eu sei que é. Eu já fui cabeludo, e quando alguém falava que tal banda misturava elementos de Metallica com algo mais experimental eu torcia o nariz. "Pra que quebrar uma fórmula de sucesso", eu pensava. Ainda bem que eu cresci. E se você acha Metallica uma merda e por isso não sacou meu ponto, aonde eu escrevi "Metallica" ali leia "Strokes". Ou "Silverchair". Ou "Europe". Ou "Cotonete".
Mas acho que meu ponto é que pessoal se prende demais com arte. Nego defende como se fosse time de futebol. "EU GOSTO DE ROCK!", que se foda magrão, não faz de ti melhor do que quem gosta de Eletrogode, e no fundo ninguém realmente se importa. Claro que eu estou fazendo um texto pra celebrar a qualidade de 2 trabalhos artísticos, então minha última frase não faz sentido. Mas eu amo incoerências, eu sou um non sequitur ambulante. E meu ponto é que você não precisa gostar do Space Is Only Noise, mas precisa conhecer. É um trabalho que não vai ganhar prêmios, mas, assim como Inception, é uma pequena lembrança do que nos leva a gostar do que gostamos em primeiro lugar. Ao menos pra mim né, total vejo um paralelo que provavelmente só eu vejo.
Eu assistia Sakura Card Captors e ainda assistiria se passasse. Eu até gosto de anime.
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