Mentira, eu vou é tentar explicar minha experiência assistindo o corujão dessa noite em 10 tópicos.
1. Ligo a TV, a cena é de um guri loiro pedindo um lanche no hotel. O guri é o Corey Haim, que só fez filme merda até eventualmente se suicidar, então eu sei que estou numa viagem bosta de início.
2. Okay, ele se esconde em baixo da mesa de lanche, o vilão acha, ele com um travesseiro vence um cara gigante com uma faca. E ele taca mostarda na cara do outro. No final, rouba o carro dos caras e sai batendo cabeça. Beleza.
3. Corey dorme no carro, e um bando de gente vestido de jogador de hockey aparece pra bater nele. Ele foge se segurando no para-brisa dum carro que estava passando por ali no momento. Mas piora. Ele se joga no carrinho de compras duma gata de patins, e pede pra ela sair porque tão perseguindo ele. Ela faz isso sem nem perguntar por que raios tem uns caras vestidos de jogador de hockey em primeiro lugar. Aí ele bota gasolina numa pistola de água, e atira com o isqueiro na frente pra resultados positivos. Isso não faz sentido algum fisicamente, mas nessa altura eu já não importo mais.
4. Corey então bota um boné meio de ladinho, e solta 300 reais pra guria pelos gastos dela. Ela vê um saco cheio de grana e começa a persegui-lo querendo metade. Aí eu já tinha me ligado que ia dar em buceta, e nesse ponto tava me abraçando de puro terror.
5. Eles acabam num zoológico. Corta a cena, aparece uma girafa, volta pra eles e os dois mudaram de roupa. Okay! Os dois sentam num banco, um cara cai em cima da guria. Óbvio que ele tá morto, e óbvio que o tiro na barriga dele tá mal feito demais. Mas pelo menos o Corey tá com um terno roxo, e isso que vale!
6. Os meliantes encontram de novo os jovens, eles conseguem escapar por uma limousine. Rola uma pegação, bem frouxa por sinal, aí a antagonista principal corta o clima atirando um DARDO TRANQUILIZANTE DE ELEFANTE nos dois. Fechou então.
7. Nossos heróis acordam na sala do vilão principal, ele obviamente conta um plano merda que eu não lembro metade mas envolvia derrubar aviões. Então Corey é levado a uma sala de arcade, e aqui as coisas começam a ficar medonhas de um jeito bastante psicodélico. Ele é amarrado num lance de egípcio chamado DOOM TOMB, que era pra ser um video-game. Só que no vídeo era claramente um idiota vestido de múmia, e o Corey 'guiava' o seu personagem com um controle de carrinho, apertando pra tudo quanto é lado. As armadilhas do jogo acontecem na 'vida real', e óbvio que é uma mais fubá que a outra. Perto do fim, a 'múmia' manda um joinha pro nosso protagonista. Mas nem adianta porque começa a sair gás mortal da sala. E agora?!?!?!?!
8. A putinha namorada do Corey está numa prisão, aí um negão, e isso eu achei deveras racista, entra ali pra tentar fazer um ganho na buceta dela. Ela pega uma PÁ que inexplicavelmente estava numa PRISÃO e enfia na cara dele. Corre até aonde está Corey e o salva. Aplausos, felicidade, delírio geral. Eles fogem e começam a mexer no satélite do vilão mór, esculhambando seus planos. Ele vê pela câmera e manda os capangas atrás da dupla. Será que eles vão sobreviver? Meu corpo treme de pura curiosidade!!!11um!
9. O que segue são algumas das piores cenas de ação da vida, mas Corey volta pra sala de arcade com a putinha. Ele começa a jogar XADREZ em lan com o vilão que tá em outra sala tentando passar um vírus pro mundo. Ele ganha em 2 jogadas. Evidentemente então que o vírus passa pro computador do malvadão, e naturalmente a polícia bate bem nas horas. Mocoza as drogas criançada!
10. Os dois vilões fogem, o careca baixinho e a loira alta tetuda, por um helicóptero. Alguém vai na sala aonde eles estavam e é uma tela de xadrez ficando progressivamente psicodélica pra refletir o VÍRUS. Aí aparece a mensagem: "QUEEN OVER HELICOPTER Y/N", aí o cara que tá lá FALA com o computador que inexplicavelmente entende o comando. O helicóptero dos filhos de puta pega vírus e começa a cair, rolando em tempo real também na tela do xadrez numa animação chulé. Eles morrem mas não aparece porque eu imagino que o orçamento do filme não envolvia um helicóptero explodindo. No final, Corey solta a pegação de novo com a vagabundinha. E créditos rolam. Finalmente, porque parece que eu passei minha vida inteira assistindo essa porra. Liberdade!
Mas pelo menos passou Beth Atômica depois!
sexta-feira, 29 de abril de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
sobre a rotina
10:00 - Augusto acorda
10:02 - peida errado e acorda a namorada pra sacar
10:03 - enfia a mão na bunda dela pela primeira vez no dia e 284ª vez no mês
10:07 - abre a geladeira e vê uma cerveja aberta de semana passada, mistura um ovo e toma que nem um herói
10:08 - dá um pontapé no gato porque ele mijou no amplificador
10:09 - percebe que não tem um aplificador mas dá outro chute no gato só pra ele ficar ligado
10:17 - vai tomar banho e fica um baita tempo lavando o saco com uma escova de dente
10:29 - encontra a mãe no corredor e resmunga algo, dá 10 reais pra irmã e manda ela comprar vodka e ficar com o troco
10:32 - abre a geladeira e pega o resto do frango, come e derrama o resto do molho no armário do irmão
10:42 - acorda o irmão na base do tapa, prende num mata-leão e chama de viado
10:47 - peida mais 7 vezes e acorda a namorada de novo pra falar que deve ser um recorde mundial
10:50 - tira o pinto pra fora e começa a bater na testa dela cobrando um boquete
10:53 - ela eventualmente aceita pra que ele pare com isso, Augusto berra "CHUPA AS BOLAS TAMBÉM"
10:58 - goza na boca e manda ela engolir
11:20 - liga o computador e muda o papel de parede pra outra foto do Motorhead
11:34 - a irmã chega com uma garrafa 3 pipa, Augusto dá um tapa nela e pergunta cadê o tang de maracujá
11:35 - Augusto decide tomar puro mesmo
11:48 - meio bêbado ele vai pro quarto e fica pelado na frente da namorada falando "Me chama de Lars Ulrich"
11:49 - bota a mão na bunda dela e se lembra que ainda não passou desodorante hoje
11:52 - Augusto fica 10 minutos passando desodorante
12:01 - reclama com a mãe que não tem almoço ainda, rouba o cartão de crédito dela e pede 3 pizza de calabresa
12:05 - compra pornografia com o cartão da mãe até o limite estourar
12:34 - ouve Metallica e liga pro vizinho e xinga de viado por ele não curtir
12:37 - a pizza chega, Augusto devora tudo mas guarda uma fatia, que ele leva até o quarto e bota na bunda da namorada
12:39 - ela percebe que aí foi talvez um pouquinho longe e decide levantar, Augusto passa desodorante de novo
13:01 - Augusto decide dar uma volta, leva seu CD do Megadeth porque ele tá se sentindo selvagem
13:17 - para no primeiro bar que encontra e se revolta porque a namorada não tá lá pra ele botar a mão na bunda
13:18 - bota mão na própria bunda
13:29 - depois de virar 2 garrafas de cerveja, ele sai correndo pra não pagar a conta, liga pro vizinho e xinga de viado de novo
13:47 - Augusto grita com o carro do lado porque ele roubou seu cd do Shaman
14:00 - Augusto chega na praia e baixa a porrada nuns caras tomando chimarrão, diz que é coisa de viado
14:12 - volta pro carro e começa a cantar UDO junto como se não houvesse amanhã
14:17 - ele bota seu cd que é um mistão de Nevermore e Iced Earth e vai pra padaria comprar coxinha com catupiry
14:23 - ameaça a mulher de morte porque a coxinha não tem catupiry
14:42 - tira uma soneca no carro
15:20 - acorda e bota a mão pro lado, fica puto porque a namorada não tá ali pra ele botar a mão na bunda
15:22 - bate uma punheta e goza numa camisa da mãe que tava ali no carro
15:49 - chega em casa e dá uma bica no gato porque ele estourou as cordas do seu violão
15:54 - vai tocar Born to be Wild num violão com 3 cordas
16:12 - dá um mijão, peida mais 3 vezes
16:13 - o último tava meio molhado, ele decide tomar banho de novo e se caga todo no chuveiro
16:17 - sai do banheiro e manda a irmã limpar tudo
16:40 - toma um conhaque na varanda fumando um cigarro e se sentindo filosófico
16:41 - pega o gato e joga ele pra baixo
17:01 - vai pro quarto do irmão e passa o pinto no travesseiro dele
18:20 - acorda um tempão depois com a mão no pau
18:22 - liga pra namorada e pergunta se ela tá com saudade, ela tá
18:25 - pergunta pra mãe se ele pode levar umas puta pra casa, ela se esconde
18:40 - Augusto tenta ir surfar, mas o mar parece estar flat, ele vai igual
19:32 - volta pra casa contando pra mãe que ele pegou 3 tubos, ela se esconde
20:01 - liga a tv pra ver o Jornal mas tá passando novela, liga pro vizinho e chama ele de viado
20:32 - bota a mão na bunda
20:45 - pede comida chinesa, manda eles botarem 3 biscoitos da sorte porque ele tá feeling lucky
20:46 - fica imitando o Clint Eastwood, mal
21:02 - a comida chega, ele devora e vira o resto no armário do irmão
21:17 - abre uma cerveja e faz AAAAAH no primeiro gole
21:40 - penteia o cabelo e fica repetindo pra si mesmo no espelho que vai se dar bem essa noite
21:43 - peida
21:59 - sai de casa de novo, tomando rum com refriscola
22:30 - chega no bar e pede 5 original, xinga o garçom porque copo é coisa de viado
22:52 - liga pros amigos, ninguém quer vir, tudo viado
23:08 - começa a cantar Van Halen no meio do bar
23:42 - chega em casa e liga no canal de putaria
00:23 - dorme no sofá com a mão no pau e o umbigo gozado
10:02 - peida errado e acorda a namorada pra sacar
10:03 - enfia a mão na bunda dela pela primeira vez no dia e 284ª vez no mês
10:07 - abre a geladeira e vê uma cerveja aberta de semana passada, mistura um ovo e toma que nem um herói
10:08 - dá um pontapé no gato porque ele mijou no amplificador
10:09 - percebe que não tem um aplificador mas dá outro chute no gato só pra ele ficar ligado
10:17 - vai tomar banho e fica um baita tempo lavando o saco com uma escova de dente
10:29 - encontra a mãe no corredor e resmunga algo, dá 10 reais pra irmã e manda ela comprar vodka e ficar com o troco
10:32 - abre a geladeira e pega o resto do frango, come e derrama o resto do molho no armário do irmão
10:42 - acorda o irmão na base do tapa, prende num mata-leão e chama de viado
10:47 - peida mais 7 vezes e acorda a namorada de novo pra falar que deve ser um recorde mundial
10:50 - tira o pinto pra fora e começa a bater na testa dela cobrando um boquete
10:53 - ela eventualmente aceita pra que ele pare com isso, Augusto berra "CHUPA AS BOLAS TAMBÉM"
10:58 - goza na boca e manda ela engolir
11:20 - liga o computador e muda o papel de parede pra outra foto do Motorhead
11:34 - a irmã chega com uma garrafa 3 pipa, Augusto dá um tapa nela e pergunta cadê o tang de maracujá
11:35 - Augusto decide tomar puro mesmo
11:48 - meio bêbado ele vai pro quarto e fica pelado na frente da namorada falando "Me chama de Lars Ulrich"
11:49 - bota a mão na bunda dela e se lembra que ainda não passou desodorante hoje
11:52 - Augusto fica 10 minutos passando desodorante
12:01 - reclama com a mãe que não tem almoço ainda, rouba o cartão de crédito dela e pede 3 pizza de calabresa
12:05 - compra pornografia com o cartão da mãe até o limite estourar
12:34 - ouve Metallica e liga pro vizinho e xinga de viado por ele não curtir
12:37 - a pizza chega, Augusto devora tudo mas guarda uma fatia, que ele leva até o quarto e bota na bunda da namorada
12:39 - ela percebe que aí foi talvez um pouquinho longe e decide levantar, Augusto passa desodorante de novo
13:01 - Augusto decide dar uma volta, leva seu CD do Megadeth porque ele tá se sentindo selvagem
13:17 - para no primeiro bar que encontra e se revolta porque a namorada não tá lá pra ele botar a mão na bunda
13:18 - bota mão na própria bunda
13:29 - depois de virar 2 garrafas de cerveja, ele sai correndo pra não pagar a conta, liga pro vizinho e xinga de viado de novo
13:47 - Augusto grita com o carro do lado porque ele roubou seu cd do Shaman
14:00 - Augusto chega na praia e baixa a porrada nuns caras tomando chimarrão, diz que é coisa de viado
14:12 - volta pro carro e começa a cantar UDO junto como se não houvesse amanhã
14:17 - ele bota seu cd que é um mistão de Nevermore e Iced Earth e vai pra padaria comprar coxinha com catupiry
14:23 - ameaça a mulher de morte porque a coxinha não tem catupiry
14:42 - tira uma soneca no carro
15:20 - acorda e bota a mão pro lado, fica puto porque a namorada não tá ali pra ele botar a mão na bunda
15:22 - bate uma punheta e goza numa camisa da mãe que tava ali no carro
15:49 - chega em casa e dá uma bica no gato porque ele estourou as cordas do seu violão
15:54 - vai tocar Born to be Wild num violão com 3 cordas
16:12 - dá um mijão, peida mais 3 vezes
16:13 - o último tava meio molhado, ele decide tomar banho de novo e se caga todo no chuveiro
16:17 - sai do banheiro e manda a irmã limpar tudo
16:40 - toma um conhaque na varanda fumando um cigarro e se sentindo filosófico
16:41 - pega o gato e joga ele pra baixo
17:01 - vai pro quarto do irmão e passa o pinto no travesseiro dele
18:20 - acorda um tempão depois com a mão no pau
18:22 - liga pra namorada e pergunta se ela tá com saudade, ela tá
18:25 - pergunta pra mãe se ele pode levar umas puta pra casa, ela se esconde
18:40 - Augusto tenta ir surfar, mas o mar parece estar flat, ele vai igual
19:32 - volta pra casa contando pra mãe que ele pegou 3 tubos, ela se esconde
20:01 - liga a tv pra ver o Jornal mas tá passando novela, liga pro vizinho e chama ele de viado
20:32 - bota a mão na bunda
20:45 - pede comida chinesa, manda eles botarem 3 biscoitos da sorte porque ele tá feeling lucky
20:46 - fica imitando o Clint Eastwood, mal
21:02 - a comida chega, ele devora e vira o resto no armário do irmão
21:17 - abre uma cerveja e faz AAAAAH no primeiro gole
21:40 - penteia o cabelo e fica repetindo pra si mesmo no espelho que vai se dar bem essa noite
21:43 - peida
21:59 - sai de casa de novo, tomando rum com refriscola
22:30 - chega no bar e pede 5 original, xinga o garçom porque copo é coisa de viado
22:52 - liga pros amigos, ninguém quer vir, tudo viado
23:08 - começa a cantar Van Halen no meio do bar
23:42 - chega em casa e liga no canal de putaria
00:23 - dorme no sofá com a mão no pau e o umbigo gozado
sábado, 23 de abril de 2011
sobre doença mental
Hello, my name is Jon Bon Jovi and I'm here to clear a mistake that has been circulating in the past couple of weeks. A tabloid in the UK got a frame of me getting a blowjob from a panda, and I'd like to explain that. It would be quite obvious for me to say that it wasn't as bad as it looked, but it was. I'm sick. I like pandas. I simply do. I live in a quite haphazardous way, but it's never as sweet as it seem. I can fuck any bitch I ever want, however I can never take my mind of a sweet sweet panda's behind. Yes, I need treatment, but don't all of us? Sometimes I like to mix it up with a threesome with a christmas tree as well. But nigga, what am I supposed to do? I just hope this is clear to all my fans, there's no need to stop getting my stuff. My stuff is still tight as fuck, niggas can't deny they feel this shit.
Love,
JBJ.
terça-feira, 19 de abril de 2011
sobre convidados especiais parte 2, a missão
Olá pessoal, lembram de mim? Meu nome ainda é Nelson Ned, eu costumava a ser famoso nos tempos idos. Bons tempos. Tempos selvagens. Tempos corretos. Sem tanto do bom mocismo de hoje em dia, aonde garotas gostam dos rapazes que se pagam de tímidos, dos garotos que não sabem falar com elas, dos garotos que depilam o suvaco e o saco. Não nos anos 70! Nos anos 70 não era assim, nos anos 70 era a verdadeira liberdade sexual. Eu cheguei a comer um urso polar, caralho! Ele estava dopado na sua gaiola no zoológico, mas do jeito que ele me olhava eu sabia. Ele precisava do amor de bolero. Ele não quis me chupar, e eu ainda não entendo aonde o espírito do boquete foi. Nos anos 70 era quando as garotas faziam linha pra massagear minhas bolas, agora o máximo que eu consigo é ficar em pé numa cadeira pra mostrar minha pistola pra uma puta na webcam. "Foda-me" elas falavam, foda-se é tudo que eu consigo. Caralho, preciso dar mais um tiro, me aguardem.
ESSA PORRA É BOA! Mas eu não acredito na minha decadência, não consigo aceitar, não consigo entender. Eu posso não ter o corpinho de Deus grego que eu tinha, mas caralho! Com o advento de um banquinho, eu ainda me vejo total como capaz de encoxar loiras numa mesa de sinuca. Mas por que o tempo passa, por que o tempo passa, por que o tempo passa? Parece que ontem era 1979, e eu estava com minha calça de boca de sino, dias da discoteque! O romance estava no ar, eu e 3 prostitutas colombianas, uma monoteta. Nós colocamos fogo na cidade aquela porra daquele dia! Porra, odeio essa onda, guenta aí.
AGORA FOI! Mas é minha mensagem pra vocês jovens, não deixem a vida passar vocês porque ela vai! Você acha que tem tudo! Dinheiro, fama, uma voz aveludada, um pinto cavalar, garotas a sua porta. Mas aí tudo vai pro escambau rápido. Seus discos param de vender, sua voz começa a ficar rouca, começam a aparecer fotos de você mordendo a bunda da sua vizinha de 11 anos. E quando você percebe, está forçado a aceitar Jesus Cristo como seu salvador. Nesse ponto ninguém mais salva. Nada salva. Minha vida foi chupada, mas pelo menos ela fez um gargarejo antes de engolir. Então aproveitem, e pera aí que eu preciso matar essa porra.
///////////e/w/e//w/er//yu/tyu/rt/ye/rt/wesapodopaospqwe (começa a babar inexplicavelmente)
segunda-feira, 18 de abril de 2011
sobre 2011
Todo mundo que se acha de alguma forma envolvido com a cena musical independente ama reclamar da ausência de música autoral. É um amor profundo, doentio, quase uma paródia ruim dos filmes em que o Michael Douglas come todo mundo. Existe algo realmente depravado no prazer que o cara metido a scholar musical sente em assistir uma banda do seu estilo favorito. Ele então tenta tossir, engolir, rir e limpar a garganta, tudo ao mesmo tempo tamanha a excitação. E então, depois de coçar o mamilo, ele abre o verbo. Diz toda aquela poesia aos nossos ouvidos, naquele tom auto-engrandecedor que eu aprendi a odiar, amar, temer e debochar. Mas minha pergunta é: o que existe de tão autoral nisso? Se você faz algo que grosseiramente lembra o trabalho de outro alguém, por que não só assumir e partir pro cover? Quero dizer, por que alguém tentaria escrever o próximo Sgt. Pepper's? Provavelmente vai ficar ruim, e nada vai mudar o fato que tu tentou fazer o próximo qualquer porra. Criatividade não é um direito, é um privilégio.
Isso sempre me incomodou, "música autoral". Paradoxalmente, meu texto é sobre isso, de algum jeito. Até agora, 2011 teve 4 grandes discos, pelo menos entre os que eu conheci. E os 4 são música autoral no bom sentido da coisa, são obras aonde a visão do criador fica evidente do começo ao fim. Não soa como nada além do trabalho da pessoa em questão, e isso eu acho bonito. Esses 4 magrões conseguiram achar alternativas pro que já era feito, mas que no fim não parece "alternativa". Entendeu? Essa parte desse parágrafo foi meio foda de escrever e mesmo assim acho que ficou uma bosta. Foi complicado ligar meu ponto inicial com o tema central. Eu achei que era importante informar isso, e assim uso isso como recurso pra chegar aonde eu quero mais fácil.
O primeiro dos 4 que eu ouvi foi o Kaputt do Destroyer. Impressionante como esse trabalho soa instantaneamente kitsch, é algo como um Pet Shop Boys beatnik. O conjunto de Vancouver abandonou um pouco seu lado mais rock pra focar nesse pop delicioso dos anos 80, e o resultado foi uma pornografia musical, um sábado à noite ideal. Além de ser um excepcional vocalista, o Daniel Bejar adciona um elemento de selvageria em tudo que ele toca. No New Pornographers era assim, e isso fica ainda mais evidente no seu projeto mais pessoal. E pra um disco tão baseado nessa sensualidade bizarra, ele consegue brilhantemente evitar de cair na auto-paródia. Bejar soa cansado, como um bêbado escondido no canto do bar pensando em tudo de novo. No final, as histórias que ele conta são tristes. Mas inevitavelmente charmosas, algo que te faz voltar sempre. Nem que seja só pra ouvir essa voz.
Dois produtores de música eletrônica lançaram seus álbuns de estréia em 2011, e são dois trabalhos completamente diferentes, separados por muito mais do que um oceano. Space is Only Noise é o nome do debut do nova-iorquino Nicolas Jaar, mas esse lindo nome também descreve o som perfeitamente. É inspiração no estado bruto, como palavras num liquidificador. Pense em algo tipo as bandas de big beat filtradas pela ótica do The Books, esse dadaísmo nunca deixa de ser irresistivelmente estranho. Em muitos momentos as músicas parecem sair do controle do compositor, como uma mansão mal assombrada lesada. Do lado inglês da coisa, o mais velho James Blake (21, contra 20 de Jaar) conseguiu algo massa com seu auto-intitulado antes mesmo de eu apertar o play: emputecer o Geoff Barrow. Engraçado que o instrumentista do Portishead achou que estava fazendo uma crítica ao jovem britânico o chamando de cantor de pub. Eu não vejo. Existe sim um pub na voz de Blake, mas é um pub decadente. Ele acabou sendo uma espécie estranha de singer-songwriter eletrônico. As músicas tem uma delicadeza e elegância que remetem ao trabalho de outros jovens ingleses, o The xx. Blake está sendo tão hypado quanto, e merece da mesma maneira. Música eletrônica de altíssima qualidade, mas acho que você pode sempre me mandar tomar no cu e ficar esperando o disco novo do Strokes. Alegria alegria!
Fechado esse texto, que certamente estava melhor na minha cabeça, temos o Smoke Ring For My Halo do Kurt Vile. Lo-fi é um gênero amplamente incompreendido. Você não está fazendo lo-fi por gravar algo meio chutado da forma mais amadora possível. É mais sobre uma postura intimista, um conceito que inevitavelmente se traduz no som. E o Kurt vile captou isso brilhantemente. Seu novo disco soa lo-fi, mas é totalmente preenchido, e a qualidade da gravação é limpa. Se o John Fahey tivesse gravado o Nebraska soaria como o instrumental desse disco. Já em sua voz, ele consegue ser melancólico sem ser chorão. O clima num geral é bem relaxado, e quando tu repara já tá no final do disco. E isso só pode ser uma qualidade, correto?
Isso sempre me incomodou, "música autoral". Paradoxalmente, meu texto é sobre isso, de algum jeito. Até agora, 2011 teve 4 grandes discos, pelo menos entre os que eu conheci. E os 4 são música autoral no bom sentido da coisa, são obras aonde a visão do criador fica evidente do começo ao fim. Não soa como nada além do trabalho da pessoa em questão, e isso eu acho bonito. Esses 4 magrões conseguiram achar alternativas pro que já era feito, mas que no fim não parece "alternativa". Entendeu? Essa parte desse parágrafo foi meio foda de escrever e mesmo assim acho que ficou uma bosta. Foi complicado ligar meu ponto inicial com o tema central. Eu achei que era importante informar isso, e assim uso isso como recurso pra chegar aonde eu quero mais fácil.
O primeiro dos 4 que eu ouvi foi o Kaputt do Destroyer. Impressionante como esse trabalho soa instantaneamente kitsch, é algo como um Pet Shop Boys beatnik. O conjunto de Vancouver abandonou um pouco seu lado mais rock pra focar nesse pop delicioso dos anos 80, e o resultado foi uma pornografia musical, um sábado à noite ideal. Além de ser um excepcional vocalista, o Daniel Bejar adciona um elemento de selvageria em tudo que ele toca. No New Pornographers era assim, e isso fica ainda mais evidente no seu projeto mais pessoal. E pra um disco tão baseado nessa sensualidade bizarra, ele consegue brilhantemente evitar de cair na auto-paródia. Bejar soa cansado, como um bêbado escondido no canto do bar pensando em tudo de novo. No final, as histórias que ele conta são tristes. Mas inevitavelmente charmosas, algo que te faz voltar sempre. Nem que seja só pra ouvir essa voz.
Dois produtores de música eletrônica lançaram seus álbuns de estréia em 2011, e são dois trabalhos completamente diferentes, separados por muito mais do que um oceano. Space is Only Noise é o nome do debut do nova-iorquino Nicolas Jaar, mas esse lindo nome também descreve o som perfeitamente. É inspiração no estado bruto, como palavras num liquidificador. Pense em algo tipo as bandas de big beat filtradas pela ótica do The Books, esse dadaísmo nunca deixa de ser irresistivelmente estranho. Em muitos momentos as músicas parecem sair do controle do compositor, como uma mansão mal assombrada lesada. Do lado inglês da coisa, o mais velho James Blake (21, contra 20 de Jaar) conseguiu algo massa com seu auto-intitulado antes mesmo de eu apertar o play: emputecer o Geoff Barrow. Engraçado que o instrumentista do Portishead achou que estava fazendo uma crítica ao jovem britânico o chamando de cantor de pub. Eu não vejo. Existe sim um pub na voz de Blake, mas é um pub decadente. Ele acabou sendo uma espécie estranha de singer-songwriter eletrônico. As músicas tem uma delicadeza e elegância que remetem ao trabalho de outros jovens ingleses, o The xx. Blake está sendo tão hypado quanto, e merece da mesma maneira. Música eletrônica de altíssima qualidade, mas acho que você pode sempre me mandar tomar no cu e ficar esperando o disco novo do Strokes. Alegria alegria!
Fechado esse texto, que certamente estava melhor na minha cabeça, temos o Smoke Ring For My Halo do Kurt Vile. Lo-fi é um gênero amplamente incompreendido. Você não está fazendo lo-fi por gravar algo meio chutado da forma mais amadora possível. É mais sobre uma postura intimista, um conceito que inevitavelmente se traduz no som. E o Kurt vile captou isso brilhantemente. Seu novo disco soa lo-fi, mas é totalmente preenchido, e a qualidade da gravação é limpa. Se o John Fahey tivesse gravado o Nebraska soaria como o instrumental desse disco. Já em sua voz, ele consegue ser melancólico sem ser chorão. O clima num geral é bem relaxado, e quando tu repara já tá no final do disco. E isso só pode ser uma qualidade, correto?
domingo, 17 de abril de 2011
sobre pera, uva, maçã e salada mista
Eu tenho uma baita história sobre bullying, parte dela pode ser ficção. Quando eu estudava num respeitável colégio no Rio de Janeiro, tinha um colega de sala chamado Luiz Alfredo que sofria. Nem por nada muito específico, ele só era mais caladão. Agora, eu nunca sofri bullying, nem nunca pratiquei bullying. Eu quero acreditar que sempre fui simpático, mas na real sempre fui bizonho demais pra se importarem em me incomodar. Mas o Luiz Alfredo não! Era foda. E lá no Rio é uma batalha perdida, quem tira sarro são uns guris mais vagabundos do que eu, só que eles podem bater um futevôlei na praia as 3 da tarde duma terça por causa dos pais. Tudo filho de médico, advogado, essas merdas. Tudo filho de puta também. Mas não vou julgar, não estou aqui pra isso.
Uma vez esse Luiz Alfredo foi perseguido até em casa por uma galera. Nessa época eu já namorava uma menina da minha sala, não sei como isso é relevante, mas é domingo e eu devo ter esquecido uma parte importante do meu cérebro em algum lugar ontem. Continuando, ele foi perseguido até em casa. E nego xingava, e nego ameaçava bater, e nego corria atrás, e nego ria, e nego cagava E não limpava o cu. Foi um carnaval. A diretora da escola botou os meliantes numa fila em frente ao quadro, e desceu esporro. A professora que tava na sala também soltou a letra que aquilo não foi muito massa não. Passionalmente. Em algum ponto ela começou a chorar. A sala estava quieta. Tinha uma amiga que na época traficava bala e chiclete, e eu estou falando bastante sério. Até ela fechou temporariamente seu negócio em condolência.
Ele eventualmente saiu do colégio, mas eu sempre o encontrava no shopping da frente quando eu tava matando aula. Uma vez eu fui pra casa dele, e ele pediu emprestado uma fita que eu tinha de Super Nintendo. Era um jogo de Fórmula 1 (hum), total afudê. No final das contas, ele nunca mais devolveu minha fita. E a mãe dele era gostosa, acho que por isso que tava lembrando disso.
Uma vez esse Luiz Alfredo foi perseguido até em casa por uma galera. Nessa época eu já namorava uma menina da minha sala, não sei como isso é relevante, mas é domingo e eu devo ter esquecido uma parte importante do meu cérebro em algum lugar ontem. Continuando, ele foi perseguido até em casa. E nego xingava, e nego ameaçava bater, e nego corria atrás, e nego ria, e nego cagava E não limpava o cu. Foi um carnaval. A diretora da escola botou os meliantes numa fila em frente ao quadro, e desceu esporro. A professora que tava na sala também soltou a letra que aquilo não foi muito massa não. Passionalmente. Em algum ponto ela começou a chorar. A sala estava quieta. Tinha uma amiga que na época traficava bala e chiclete, e eu estou falando bastante sério. Até ela fechou temporariamente seu negócio em condolência.
Ele eventualmente saiu do colégio, mas eu sempre o encontrava no shopping da frente quando eu tava matando aula. Uma vez eu fui pra casa dele, e ele pediu emprestado uma fita que eu tinha de Super Nintendo. Era um jogo de Fórmula 1 (hum), total afudê. No final das contas, ele nunca mais devolveu minha fita. E a mãe dele era gostosa, acho que por isso que tava lembrando disso.
sábado, 16 de abril de 2011
sobre ressacaria
Boa tarde minha gente! O dono desse blog abriu espaço pra que eu pudesse falar um pouco de Deus, e eu tenho várias coisas importantes pra compartilhar com vocês. Peço que vocês abram a bíblia em I Tessalonicenses, sempre foi meu livro favorito. Em 5:23 lê-se que "O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo", vamos analisar isso um pouquinho? Aonde você vai estar no arrebatamento? Deitado na calçada, desesperadamente drogado, sem lembrar nem do rosto da sua mãe? Ou você vai ser sua mãe, sem saber aonde está o filho, e como ele saiu tanto do caminho de Deus. No meu último culto, feito na Vitória, eu vi como meus irmãos tem a dificuldade de abraçar a Paz de Cristo. Pois ele voltará, e seu trono está em cada um de nós. Esse mundo foi feito pra acabar, então não percam seu tempo. Eu estou formando um grupo que viajará comigo ao Peru, aonde finalmente encontraremos nosso salvador. Não peço nada, só entrega espiritual completa e absoluta. Seus corpos serão deixados pra trás assim que chegarmos na montanha. Essa próxima quarta-feira estaremos nos reunindo na Advec Penha para partimos. Conto com vocês, um beijo no coração.
sábado, 9 de abril de 2011
jornalismo ruim é ruim
Okay, nosso querido Rodrigo Nascimento foi cobrir um show de Jazz. O resultado foi isso.
Assistir a uma apresentação de Keith Jarrett é presenciar uma fusão total entre homem e máquina, artista e meio.
Bacana. Assistir um filme de zoofilia é presenciar uma fusão total entre mulher e jegue.
Tanto que, em alguns momentos do recital de quarta-feira à noite, na Sala São Paulo, não era possível discernir se era Keith que tocava o piano, ou o piano que tocava Keith.
Aaah meu, se tu usasse uma metáfora mais clichê de jornalismo musical merda tenho certeza que ia abrir um buraco negro que engoliria a galáxia.
Pouco depois das nove horas, a sala escureceu. Keith subiu ao palco, agradeceu os aplausos e curvou-se sobre o seu amigo para ouvir o que ele tinha a dizer.
Vou supor que seu amigo é o piano. Vou super também, por entretenimento, que o Keith Jarrett é esquizofrênico e passa seus dias conversando com o doutor Piano e a professora Janela.
O primeiro segredo revelou uma série de fragmentos harmônicos que Keith colheu e espalhou feito pólen pela sala.
Eu vejo o cara escrevendo esse trecho. Ele digita algo na sua máquina de escrever retrô, olha bem e percebe que aquilo não fez sentido nenhum. Inexplicavelmente, ele pensa "é, tá ótimo", e fecha seus olhos pra ter delírios com o som de bucetas pingando pelo seu gênio.
O final de uma frase dava início a outra, como nuvens que se fazem e desfazem rapidamente em uma noite enluarada: o silêncio, ou a escuridão do céu, é a única constante.
Porra, o céu está escuro ou enluarado? Decida-se caralho.
O programa, inteiramente improvisado, revelou a versatilidade do pianista. É uma viagem, mais como uma refeição de oito ou nove pratos, servidos por um chef confiante em sua alta culinária.
Um set improvisado SEMPRE vai revelar versatilidade de quem o estiver performando. É meio que o ponto da coisa. E outra, você fez esse texto completamente EMACONHADO, né? Vou reescrever a segunda frase como o autor provavelmente deve ter inicialmente pensado:
É uma viagem, mais como uma larica de oito ou larica, servidos por um rato falante confiante em sua coxinha de posto enrolada com presunto.
Pronto.
Por quase duas horas, Keith transitou pelo blues, o folk, o free jazz e o erudito, mesmo que seu gênero só possa ser classificado como Keith Jarrett.
Então qual o sentido de citar os gêneros anteriores?
A segunda peça na sala São Paulo mostrou o lado mais visceral da conexão entre músico e instrumento.
Ele quebrou o pinto tentando meter numa das teclas?
Quando tocava algo que lhe inspirava, se erguia em posição de homo erectus e gemia do fundo da alma, como se o piano fosse seu amante, um gesto repetido em todos os improvisos ritmados da noite.
Caralho, eu vou sonhar tão errado essa noite.
O ar de suas improvisações é rarefeito, e o ingrediente suingue, como a feijoada da senzala, seria muito explícito em seu banquete.
Isso é muito ruim.
Exceto por uma brilhante improvisação atonal na segunda parte, em que criava uma tempestade silenciosa com tanta calma que era capaz de botar um nenê para dormir,
Isso era pra ser um elogio? Por que tu não para com a indireta e chama o show de chato logo?
Agradou o público com uma de suas viagens de acordes simples e sinceros, que remetiam ao tipo de improviso do lendário Koln Concert, de 1975.
O público acordou?
Esboçou humor quando disse: "Vocês podem tossir agora", uma referência à fama que o músico tem de encerrar suas apresentações por causa de gargantas inquietas. Mas não foi o suficiente para conter a jequice de alguns fãs.
"Vocês podem tossir agora" não foi bem jegue em primeiro lugar?
Quando voltou para o bis, Keith pediu cinicamente para o público tirar todas as fotos que quisesse e parar quando ele estivesse tocando. Os flashs continuaram e Keith terminou a metade do bis, levantou e foi embora para não voltar.
Em outras palavras, menos profissional que isso só esse texto merda.
Assistir a uma apresentação de Keith Jarrett é presenciar uma fusão total entre homem e máquina, artista e meio.
Bacana. Assistir um filme de zoofilia é presenciar uma fusão total entre mulher e jegue.
Tanto que, em alguns momentos do recital de quarta-feira à noite, na Sala São Paulo, não era possível discernir se era Keith que tocava o piano, ou o piano que tocava Keith.
Aaah meu, se tu usasse uma metáfora mais clichê de jornalismo musical merda tenho certeza que ia abrir um buraco negro que engoliria a galáxia.
Pouco depois das nove horas, a sala escureceu. Keith subiu ao palco, agradeceu os aplausos e curvou-se sobre o seu amigo para ouvir o que ele tinha a dizer.
Vou supor que seu amigo é o piano. Vou super também, por entretenimento, que o Keith Jarrett é esquizofrênico e passa seus dias conversando com o doutor Piano e a professora Janela.
O primeiro segredo revelou uma série de fragmentos harmônicos que Keith colheu e espalhou feito pólen pela sala.
Eu vejo o cara escrevendo esse trecho. Ele digita algo na sua máquina de escrever retrô, olha bem e percebe que aquilo não fez sentido nenhum. Inexplicavelmente, ele pensa "é, tá ótimo", e fecha seus olhos pra ter delírios com o som de bucetas pingando pelo seu gênio.
O final de uma frase dava início a outra, como nuvens que se fazem e desfazem rapidamente em uma noite enluarada: o silêncio, ou a escuridão do céu, é a única constante.
Porra, o céu está escuro ou enluarado? Decida-se caralho.
O programa, inteiramente improvisado, revelou a versatilidade do pianista. É uma viagem, mais como uma refeição de oito ou nove pratos, servidos por um chef confiante em sua alta culinária.
Um set improvisado SEMPRE vai revelar versatilidade de quem o estiver performando. É meio que o ponto da coisa. E outra, você fez esse texto completamente EMACONHADO, né? Vou reescrever a segunda frase como o autor provavelmente deve ter inicialmente pensado:
É uma viagem, mais como uma larica de oito ou larica, servidos por um rato falante confiante em sua coxinha de posto enrolada com presunto.
Pronto.
Por quase duas horas, Keith transitou pelo blues, o folk, o free jazz e o erudito, mesmo que seu gênero só possa ser classificado como Keith Jarrett.
Então qual o sentido de citar os gêneros anteriores?
A segunda peça na sala São Paulo mostrou o lado mais visceral da conexão entre músico e instrumento.
Ele quebrou o pinto tentando meter numa das teclas?
Quando tocava algo que lhe inspirava, se erguia em posição de homo erectus e gemia do fundo da alma, como se o piano fosse seu amante, um gesto repetido em todos os improvisos ritmados da noite.
Caralho, eu vou sonhar tão errado essa noite.
O ar de suas improvisações é rarefeito, e o ingrediente suingue, como a feijoada da senzala, seria muito explícito em seu banquete.
Isso é muito ruim.
Exceto por uma brilhante improvisação atonal na segunda parte, em que criava uma tempestade silenciosa com tanta calma que era capaz de botar um nenê para dormir,
Isso era pra ser um elogio? Por que tu não para com a indireta e chama o show de chato logo?
Agradou o público com uma de suas viagens de acordes simples e sinceros, que remetiam ao tipo de improviso do lendário Koln Concert, de 1975.
O público acordou?
Esboçou humor quando disse: "Vocês podem tossir agora", uma referência à fama que o músico tem de encerrar suas apresentações por causa de gargantas inquietas. Mas não foi o suficiente para conter a jequice de alguns fãs.
"Vocês podem tossir agora" não foi bem jegue em primeiro lugar?
Quando voltou para o bis, Keith pediu cinicamente para o público tirar todas as fotos que quisesse e parar quando ele estivesse tocando. Os flashs continuaram e Keith terminou a metade do bis, levantou e foi embora para não voltar.
Em outras palavras, menos profissional que isso só esse texto merda.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
sobre eu também saber fazer poesia concreta
meus olhos
na rosa
o cimento
jesus vive
roxo triste
que lento
cala boca
bota roupa
meu desalento
a geléia
e abacate
só cimento
na rosa
o cimento
jesus vive
roxo triste
que lento
cala boca
bota roupa
meu desalento
a geléia
e abacate
só cimento
terça-feira, 5 de abril de 2011
sobre plágio
Nós fomos dançar aquela noite. O nome dela era Joana ou algo do tipo, não prestei muita atenção. Ela falava que nem uma vaca, só que ela era uma vaca. Logo tudo ficou complicado demais. O ritmo e as cores me cegavam. Um amigo meu me pagou uma bebida, e perguntou "cara, o que não é rock and roll então?". Eu não tive coragem de responder. Minha cabeça vai pros lugares mais estranhos, é rápido pra ficar inexplicável. Eu joguei minhas mãos pequenas pra cima e tentei acompanhar o som. Girando e girando. O vocalista cantava algo sobre voltar pra casa. É só um show. Eu voltei pra mesa, não havia muito mérito no que eu estava fazendo. O que eu estou fazendo?
Acho que é verdade que em todo sonho mora um ataque de coração. A garota, Joana, Ana, não lembro... Ela estava fazendo sucesso perto do palco. Todo mundo queria estar com ela. Sua pele era de vinil. Ela veio pra perto de mim, quão bom isso deveria ter sentido. Ela tentou dizer algo no meu ouvido, não conseguiu, me beijou. Sabe os 4 primeiros discos do Brian Eno? Aquilo nunca deixa minha cabeça. Brian Eno era Beatles, Beach Boys e Kinks tudo junto. Ele não era só um genial, ele era quase um personagem de desenho animado de tão bom. Não existia. Havia também um jogo de Super Nintendo chamado Ninja Warriors que era brilhante, mas o meu estava quebrado e nunca passava pra última fase. Eu abri os olhos e ela ainda estava ali.
Eu sou chato, no final das contas. Acho que deve ser isso. Minha ex-namorada disse que eu ia morrer sozinho. No final da noite, a garota foi embora com um skatista. Disse que ainda podiamos ser amigos. Ouvi dizer que hoje em dia ela tenta ser uma estrela de televisão, espero que ela tenha encontrado o que estava procurando. Pra mim, eu vago pela cidade. Não conheci uma coisa ainda que depois eu não senti falta. Eu sempre procurei ficar sozinho, e tentar fingir que estava tudo bem. Sim, eu andei bebendo. Eu posso mudar, eu posso mudar. Nós fomos dançar aquela noite. Na minha cabeça eu estou sempre tentando dançar.
Acho que é verdade que em todo sonho mora um ataque de coração. A garota, Joana, Ana, não lembro... Ela estava fazendo sucesso perto do palco. Todo mundo queria estar com ela. Sua pele era de vinil. Ela veio pra perto de mim, quão bom isso deveria ter sentido. Ela tentou dizer algo no meu ouvido, não conseguiu, me beijou. Sabe os 4 primeiros discos do Brian Eno? Aquilo nunca deixa minha cabeça. Brian Eno era Beatles, Beach Boys e Kinks tudo junto. Ele não era só um genial, ele era quase um personagem de desenho animado de tão bom. Não existia. Havia também um jogo de Super Nintendo chamado Ninja Warriors que era brilhante, mas o meu estava quebrado e nunca passava pra última fase. Eu abri os olhos e ela ainda estava ali.
Eu sou chato, no final das contas. Acho que deve ser isso. Minha ex-namorada disse que eu ia morrer sozinho. No final da noite, a garota foi embora com um skatista. Disse que ainda podiamos ser amigos. Ouvi dizer que hoje em dia ela tenta ser uma estrela de televisão, espero que ela tenha encontrado o que estava procurando. Pra mim, eu vago pela cidade. Não conheci uma coisa ainda que depois eu não senti falta. Eu sempre procurei ficar sozinho, e tentar fingir que estava tudo bem. Sim, eu andei bebendo. Eu posso mudar, eu posso mudar. Nós fomos dançar aquela noite. Na minha cabeça eu estou sempre tentando dançar.
Assinar:
Comentários (Atom)


