sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

sobre café, brasilis futebol clube e outras aberrações

Eu sempre tive medo de satã. Daquele jeito bem clichê. Eu estou deitado na cama, com meu pijama azul, estou assistindo Turma do Pateta na Globo. O clima fica pesado. Eu olho cautelosamente pros cantos. Eu ouço uma música, deixo o meu quarto com meu ursinho de pelúcia. Rodo a casa e não vejo ninguém. Volto pra cama convencido que estou maluco. Daí ele me ataca. E a próxima coisa que eu percebo é estar amarrado numa cama, vomitando em mim mesmo e girando o pescoço. Ou seja, estaria em Cabeçudas-ITJ. E isso que me dá mais medo.


Curiosamente, não sinto falta de ninguém do Rio de Janeiro. Absolutamente ninguém. Não sinto saudade dos rostos nem dos nomes. Mas eu sinto uma puta saudade do lugar em si, me bate uma nostalgia quando eu lembro de cada esquina. De cada condomínio lindo que tem na Barra da Tijuca. De como o Mandala era assombrado por ter sido construído em cima dum cemitério indígena. De como os dois shoppings abertos do Novo Leblon eram ótimos pra matar aula. Dos campos de golf no Golden Green, da praça de skate bizonha no Rosas, da praça no Atlântico Sul. O meu condomínio, o Alfa Barra, que tinha uma porra duma ponte, uma igreja e um clube. Os shoppings, cada um deles. Eu lembro de comprar Zeldão no Barra Garden, e anos depois de tomar café com uma puta ressaca de frente pra loja em questão. Quem tem nostalgia de gente tá fazendo algo errado consigo mesmo.


Até hoje eu gosto de metal. Gosto mesmo. Eu acho engraçado como alguém consegue levar a sério isso, mas a galera tem a tendência de levar tudo a sério. É tipo Criança Esperança com o Didi, como se o Didi lembrasse que porra é ser uma criança em primeiro lugar. Hoje tudo é sério demais. Se um padre estupra uma criancinha a galera fica toda revoltada e quer acabar com a Igreja Católica. Eu digo: calma senhores. A vida é boa. Não mande seus filhos pra serem coroinhas ao invés de escreverem teses enormes contra o celibatário. Tudo é muito apressado. Enquanto isso, Judas Priest segue sendo a música ideal pra se ouvir quando você está breaking the ló.

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