terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

sobre algumas coisas

Cristine senta na escada. A luz do dia se nega a chegar nos seus olhos. Ela queria poder se encostar e inventar algum sonho, mas o momento passou. Seus braços pesam, sua cabeça não para de pensar em ontem e em coisas pra falar amanhã. Ela se sente abusada, como se seu corpo estivesse gritando pelo mistério. O que tinha naquele pedaço de saco de supermercado? E se fosse veneno de rato? Seus olhos doem. Promete que nunca mais pela milésima vez. Agora só tem sal na casa, e é um longo caminho de volta.


Isabela adormeceu se masturbando. Ela ouviu um barulho, ela tentou fingir que estava tudo bem. Mas seu rosto ficou pálido, ela sabia o que era. Ela via a coisa se arrastando pelo telhado, quebrando todas as janelas. Não estava mais escuro quando ela viu os vultos a cercando. Parados enquanto ela tentava falar alguma coisa, mas sua boca não tinha mais voz. Ela olhou pra baixo, de alguma forma ela entendeu.


Mariana atropelou um cachorro. Ao descer do seu carro, ela foi até o animal que estava sangrando mais que o cu da Mônica Mattos. Ela acendeu um cigarro enquanto tentava estabelecer algum diálogo, mas o cachorro não parecia estar muito pra conversa. Ele ficava olhando pra ela chorando, esperando alguma reação. Ela não sabia o que fazer enquanto o cigarro começou a queimar seus dedos. Ela pegou o bicho no colo e botou no carro, acelerou até alguma clínica veterinária. No meio do caminho ela parou o carro pra pensar sobre isso. O que o bicho ia fazer? Se mudar pra Paris e encontrar seu verdadeiro amor? Ela começou a chorar, não era nem pra ela estar ali hoje.


Fernanda acordou sem sinal de ninguém ao seu redor. Ela esperava ver algum rosto ali, mas aparentemente o cara conseguiu escapar furtivamente. Ela sabia que devia ter um cachorro nessas horas, pra fazer escândalo e não deixar ela acordar sozinha. Mas ali estava ela, cheia de hematomas na perna e cheia de suor alheio. Ela senta na cama, liga o seu som. Está tocando Fleet Foxes. Ela vai até o banheiro, fica meia hora sentada no vaso limpando a porra. Tão romântico. Ela consegue chegar até a cozinha, liga a cafeteira, encosta na parede e acende um cigarro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário