Eu sempre machuco meu dedo roendo unha. É revoltante até, porque quem rói unha sabe que se consiste de dois movimentos. Primeiro você destaca uma parte, de preferência saindo do canto mais próximo da boca. Depois você segura com os dentes e destaca a unha. Só que eu sou mongol e sempre mordo uma parte grande. Aí na hora de arrancar machuca pra caralho. Meu dedo começou a sangrar. E porra, sangrar nos dedos proporciona uma agonia terrível. Eu tenho alergia de detergente, daí começo a sangrar acima das unhas sempre que lavo a louça sem luva. Ou quando bato punheta com detergente pra fazer bolhinha, o que vier primeiro.
Outra coisa que eu fazia bastante era esculhambar meu rosto na época que eu tinha espinhas. Hoje em dia eu tenho bem pouco, mas quando era adolescente, se não tinha pra caralho, tinha algumas em lugares infelizes. Eu rasgava tudo, eu honestamente ficava puto com uma bolinha vermelha na ponta do nariz. Eu entendia a existência daquilo tanto quanto a do hipopótamo. E tudo que eu não entendo eu preciso tentar arrancar da minha cara, faria o mesmo com um hipopótamo. Daí ficava umas cicatrizes de guerra, parecia maquiagem de filme de boxe ruim.
Eu sempre gostei de rabinho de cavalo. Tipo Steven Seagal. Tá, mentira, nunca gostei. Mas gostei de teorizar. Esse é meu problema, acho. Eu gosto de poucas coisas na prática, sou um homem simples com poucas crenças. Mas AMO quase tudo na teoria. Não tenho saco pra ouvir um disco do Judas Priest inteiro, mas na minha cabeça eu faço isso todo dia toda hora. É melhor assim. Eu minto pra mim mesmo, e o pior é que sempre acredito. Eu quero metade das coisas que eu não quero, eu sou tipo aquele cara que quando joga pokémon vai na loja e compra 500 pokebolas, mesmo sabendo que na cidade seguinte tem a great ball ou sei lá como era o nome.
Outra coisa que eu percebi é que se eu começasse esse parágrafo com "outra coisa" meu texto tomaria uma estrutura repetitiva, e eu poderia depois dizer que foi total de propósito. Eu tenho problemas com começos e com finais. Eu já falei que chorava em fim de novela das 7 porque estava acabando. Só que eu nunca começava porque tava tão no começo. O meio é perfeito, pense num romance. O garoto treme pra levar a rosa pra garota, o desconforto inicial. No meio deu certo. O cara até esquece como ele chegou lá em primeiro lugar, mas certamente é bom estar lá. Até dar alguma merda e ir cada um pro lado, e ele acaba sem a rosa e sem ninguém pra entregar. Eu nunca soube como terminar meus textos. Talvez o ideal seja só parar de escrever e esperar que o contexto tenha feito sentido.
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