Tem um disco que eu acho subestimado mesmo sendo mais amado que o vídeo da Mônica Mattos dando prum anão. O auto-intitulado do Fleet Foxes, lançado em 2008, foi importante demais por motivos que vão além da música. Ou por motivos complexos demais que pela sua natureza não existiam, mas acabam de ser inventados. Algo assim.
O debut desses barbudos é um disco de folk. E nós vivemos numa década aonde é cada vez mais raro algo ser folk. Cada vez mais existe o fenômeno do "viado tocando música triste sozinho no violão" sendo chamado de folk. Folk é, como o nome deixa meio claro, música folclórica, e não no sentido bumba-meu-boi da coisa. É som que teoricamente se toca numa roda em torno duma fogueira, madrugada adentro, e quando tudo fica cansado demais as pessoas podem cair umas nas outras e assistir o sol nascendo. Ou um Steven Seagal, o que vier primeiro.
Folk tem um clima que não pode ser posto em palavras, por isso estou me embabacando aqui. O primitivismo americano instrumental do John Fahey contava histórias pra quem quisesse ouvir. Mesmo em casos como Bob Dylan e Nick Drake você consegue ver traços de folk, embora filtrados por uma ótica autoral bem individual em ambos os casos. "Ótica autoral", isso faz qualquer sentido? Foda-se, agora vai ficar. Não é como se esse texto não estivesse meio chato em primeiro lugar.
Fleet Foxes é folk. É um caso bem raro de música que consegue soar retrô sem ser palhaçada. É som de acampamento, e no sentido bom da palavra, não no sentido de um cabeludo pegar o violão e tocar "Born To Be Wild". Fleet Foxes é importante por lembrar um gênero musical que estava sendo assassinado por uns caras que abusavam da coisa pra comer todo mundo. Deus abençoe esses barbudos assustadores.
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