segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

sobre inception e jaar

Inception é um caso raro aonde a forma superar a substância é uma coisa boa. Claro que a história é engraçadinha, é tudo um sonho dentro dum sonho, e a mulher do Leonardo DiCaprio volta pra matar todo mundo, tipo um Ghost misturado com Instinto Selvagem e O Grande Dragão Branco. Mas é o jeito como esse enredo é narrado que mata pra mim. O filme te joga cenas lindas numa sucessão impressionante, sem nunca perder o ritmo, como uma bateria aonde o instrumentista não erra uma batida por quase 3 horas. É cuidadoso, bem pensado, trabalho ao extremo. É o ápice do cálculo no cinema, meio que uma conclusão lógica da brilhante, até aqui, carreira do Christopher Nolan.


Não foi lá muito premiado. Dificilmente também será lembrado como o clássico que é daqui alguns anos. É um daqueles filmes que fica numa zona meio cinza, com boa aprovação de público e crítica, mas talvez com boa aprovação demais. Não abre margem pra polêmica, tu não vai ver um Rubens Ewald Filho esculhambando o filme. Esse tipo de crítico pedante de cinema deve acabar considerando o filme como "bom", ou "meh". O ideal seria que eles não gostassem, pois se tem uma coisa que eu aprendi é que a qualidade de qualquer obra é inversamente proporcional ao quanto o Rubens Ewald Filho gostou.


O excepcional Space Is Only Noise do Nicolas Jaar também fica um pouco nessa zona do agrião. É extremamente calculado, muito bem realizado, e é novo. Por mais que você ache que Inception é plagiado daquele anime que eu esqueci o nome, meu, é anime sabe. Quem se importa? O Inception tem o DiCaprio pra alguns reclamarem, parece que tem gente que não chorou vendo Titanic. Eu não chorei. Lembro que foi meu primeiro contato com uma mulher sensacional, na cena que aparece os peitos da Kate Winslet. Tão irritantemente perfeita, talvez ela seja em grande parte responsável pela minha alma pornográfica.


Já no disco do Nicolas Jaar, muita gente não vai conhecer porque é um disco eletrônico, embora não seja eletrônico o suficiente pra ser trilha de festinha. É um disco experimental, ambiente, com idéias colocadas em forma de música de um jeito bem intimista. Eu nunca vou entender porque tem gente que implica com música eletrônica, preferindo timbres enfadonhos de guitarra de novo e de novo. Parece-me um desperdício. Música é música rapazeada, gostar só de rock é em grande parte preconceito. Eu sei que é. Eu já fui cabeludo, e quando alguém falava que tal banda misturava elementos de Metallica com algo mais experimental eu torcia o nariz. "Pra que quebrar uma fórmula de sucesso", eu pensava. Ainda bem que eu cresci. E se você acha Metallica uma merda e por isso não sacou meu ponto, aonde eu escrevi "Metallica" ali leia "Strokes". Ou "Silverchair". Ou "Europe". Ou "Cotonete".


Mas acho que meu ponto é que pessoal se prende demais com arte. Nego defende como se fosse time de futebol. "EU GOSTO DE ROCK!", que se foda magrão, não faz de ti melhor do que quem gosta de Eletrogode, e no fundo ninguém realmente se importa. Claro que eu estou fazendo um texto pra celebrar a qualidade de 2 trabalhos artísticos, então minha última frase não faz sentido. Mas eu amo incoerências, eu sou um non sequitur ambulante. E meu ponto é que você não precisa gostar do Space Is Only Noise, mas precisa conhecer. É um trabalho que não vai ganhar prêmios, mas, assim como Inception, é uma pequena lembrança do que nos leva a gostar do que gostamos em primeiro lugar. Ao menos pra mim né, total vejo um paralelo que provavelmente só eu vejo.


Eu assistia Sakura Card Captors e ainda assistiria se passasse. Eu até gosto de anime.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

sobre the national e arcade fire

Quero fazer um texto em homenagem a duas bandas. Não são bandas desconhecidas, então não vou conseguir me pagar de cult agora. Não vou também fazer algo informativo pra que tu conheça tudo, não sou assim. Graças a Deus. Minha cabeça é um filme pornô softcore, você nunca acreditaria os pensamentos merdas que eu penso. The National, como eu te amo.


Minha trajetória com essa banda foi estranha. Foi minha banda da fossa. Eu achava tão lindo a tristeza meio desesperadora contida na música deles, e sem perceber acabou virando uma das minhas bandas favoritas quando eu finalmente deixei de querer morrer e toda aquela maluquice. Eu dava minha alma pra conversar com o Matt Berninger, ele deve ser o cara mais interessante do planeta. Suas letras falam de um cotidiano trágico, meio Bruce Springsteen, e qualquer coisa que lembre THE BOSS pra mim é sensacional.


National é sutil, é parte da natureza da banda ser subestimado. É um som raro que serve pra tu ouvir limpando a geladeira e que merece ser admirado ao mesmo tempo. Ninguém faz refrão melhor hoje em dia. E em toda sua sutileza, eles são nesse aspecto o exato oposto do Arcade Fire. Comparando mal, o National é o Kinks pros Beatles do Arcade Fire. E eu não só acho Arcade Fire comparável com Beatles, acho melhor.


Todo o tom romântico trágico grandioso do Win Butler é extremamente bem feito. É algo que tem muita chance de dar errado, mas ainda bem que não deu. O talento nos arranjos da banda é realmente sem paralelo hoje ou ontem, algo que de certeza deve estabelecer um novo padrão. O completo descontrole emocional que carrega a maior parte da música deles me faz me lembrar porque eu gosto disso em primeiro lugar. Porque eu amo tanto música, é a única forma de realmente comunicar com precisão qualquer porra. E ninguém fala comigo melhor que esses filhos de puta.


Tou com uma ressaca mais absurda que a Mônica Mattos dando prum anão.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

sobre country, western e marlboro vermelho

Eu sempre machuco meu dedo roendo unha. É revoltante até, porque quem rói unha sabe que se consiste de dois movimentos. Primeiro você destaca uma parte, de preferência saindo do canto mais próximo da boca. Depois você segura com os dentes e destaca a unha. Só que eu sou mongol e sempre mordo uma parte grande. Aí na hora de arrancar machuca pra caralho. Meu dedo começou a sangrar. E porra, sangrar nos dedos proporciona uma agonia terrível. Eu tenho alergia de detergente, daí começo a sangrar acima das unhas sempre que lavo a louça sem luva. Ou quando bato punheta com detergente pra fazer bolhinha, o que vier primeiro.


Outra coisa que eu fazia bastante era esculhambar meu rosto na época que eu tinha espinhas. Hoje em dia eu tenho bem pouco, mas quando era adolescente, se não tinha pra caralho, tinha algumas em lugares infelizes. Eu rasgava tudo, eu honestamente ficava puto com uma bolinha vermelha na ponta do nariz. Eu entendia a existência daquilo tanto quanto a do hipopótamo. E tudo que eu não entendo eu preciso tentar arrancar da minha cara, faria o mesmo com um hipopótamo. Daí ficava umas cicatrizes de guerra, parecia maquiagem de filme de boxe ruim.


Eu sempre gostei de rabinho de cavalo. Tipo Steven Seagal. Tá, mentira, nunca gostei. Mas gostei de teorizar. Esse é meu problema, acho. Eu gosto de poucas coisas na prática, sou um homem simples com poucas crenças. Mas AMO quase tudo na teoria. Não tenho saco pra ouvir um disco do Judas Priest inteiro, mas na minha cabeça eu faço isso todo dia toda hora. É melhor assim. Eu minto pra mim mesmo, e o pior é que sempre acredito. Eu quero metade das coisas que eu não quero, eu sou tipo aquele cara que quando joga pokémon vai na loja e compra 500 pokebolas, mesmo sabendo que na cidade seguinte tem a great ball ou sei lá como era o nome.


Outra coisa que eu percebi é que se eu começasse esse parágrafo com "outra coisa" meu texto tomaria uma estrutura repetitiva, e eu poderia depois dizer que foi total de propósito. Eu tenho problemas com começos e com finais. Eu já falei que chorava em fim de novela das 7 porque estava acabando. Só que eu nunca começava porque tava tão no começo. O meio é perfeito, pense num romance. O garoto treme pra levar a rosa pra garota, o desconforto inicial. No meio deu certo. O cara até esquece como ele chegou lá em primeiro lugar, mas certamente é bom estar lá. Até dar alguma merda e ir cada um pro lado, e ele acaba sem a rosa e sem ninguém pra entregar. Eu nunca soube como terminar meus textos. Talvez o ideal seja só parar de escrever e esperar que o contexto tenha feito sentido.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

sobre contos antigos

Tá gravando? Okay... Meu nome é Isabela, na época dessa gravação eu tinha entre 17 e 27 anos. Se você está vendo isso agora, provavelmente sempre se perguntou onde sua mãe estava. Bom, eu sou sua mãe. Por razões que eu não consigo explicar, nem quero, eu não pude te criar. Deixei pra minha mãe, que te criaria bem melhor que eu. No fundo, ela foi uma mãe pra você também, embora seja estranho pensar em você como minha irmã. Talvez ajude. Provavelmente não. De qualquer forma, eu não vou tentar aparecer na sua vida. Não mereço isso, e eu sei. Se você quiser, sua avó tem a minha localização. Não sei porque você me procuraria, não sou interessante e você provavelmente está brava comigo. Quando você nasceu, era um ratinho. Eu te segurei no meu colo, e foi tão difícil aceitar me separar de você. Você se aconchegava em mim. Chorou a noite toda, um choro tão bonitinho. Tão sentido. E eu tenho certeza que vou ouvir esse choro pelo resto da minha vida, nunca pra ser substituído por você me chamando de mamãe. Exageros, eu sei, to começando até a ficar brega, então vou tentar me resumir: Eu amo você, meu ratinho. Na minha cabeça, você vai sempre ser um ratinho. Espero que eventualmente puxe meu olho azul, e vamos ficar nisso. Talvez um dia a gente converse da razão da minha ausência, talvez não. Talvez você nem queira ver essa fita. Talvez ela se perca. Talvez, talvez, talvez. Então, sou eu. Simplesmente isso. Espero te encontrar um dia pra andar no sol, pisando na grama e tomando sorvete. Desde já eu sinto sua falta. Não consigo pensar em alguma forma de encerrar essa gravação, sinto que é todo o tempo que eu vou ter com você. Como se resume uma vida em poucos minutos? Não é justo, não deveria ser assim. Mas, aqui estou eu, com uma câmera de frente pro espelho. Olhando o você de agora e me perguntando como será o você que vai ver isso. Tanta coisa pra dizer, me sinto perdida num aeroporto. Então simplesmente não vou dizer mais nada. E é isso.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

sobre algumas coisas

Cristine senta na escada. A luz do dia se nega a chegar nos seus olhos. Ela queria poder se encostar e inventar algum sonho, mas o momento passou. Seus braços pesam, sua cabeça não para de pensar em ontem e em coisas pra falar amanhã. Ela se sente abusada, como se seu corpo estivesse gritando pelo mistério. O que tinha naquele pedaço de saco de supermercado? E se fosse veneno de rato? Seus olhos doem. Promete que nunca mais pela milésima vez. Agora só tem sal na casa, e é um longo caminho de volta.


Isabela adormeceu se masturbando. Ela ouviu um barulho, ela tentou fingir que estava tudo bem. Mas seu rosto ficou pálido, ela sabia o que era. Ela via a coisa se arrastando pelo telhado, quebrando todas as janelas. Não estava mais escuro quando ela viu os vultos a cercando. Parados enquanto ela tentava falar alguma coisa, mas sua boca não tinha mais voz. Ela olhou pra baixo, de alguma forma ela entendeu.


Mariana atropelou um cachorro. Ao descer do seu carro, ela foi até o animal que estava sangrando mais que o cu da Mônica Mattos. Ela acendeu um cigarro enquanto tentava estabelecer algum diálogo, mas o cachorro não parecia estar muito pra conversa. Ele ficava olhando pra ela chorando, esperando alguma reação. Ela não sabia o que fazer enquanto o cigarro começou a queimar seus dedos. Ela pegou o bicho no colo e botou no carro, acelerou até alguma clínica veterinária. No meio do caminho ela parou o carro pra pensar sobre isso. O que o bicho ia fazer? Se mudar pra Paris e encontrar seu verdadeiro amor? Ela começou a chorar, não era nem pra ela estar ali hoje.


Fernanda acordou sem sinal de ninguém ao seu redor. Ela esperava ver algum rosto ali, mas aparentemente o cara conseguiu escapar furtivamente. Ela sabia que devia ter um cachorro nessas horas, pra fazer escândalo e não deixar ela acordar sozinha. Mas ali estava ela, cheia de hematomas na perna e cheia de suor alheio. Ela senta na cama, liga o seu som. Está tocando Fleet Foxes. Ela vai até o banheiro, fica meia hora sentada no vaso limpando a porra. Tão romântico. Ela consegue chegar até a cozinha, liga a cafeteira, encosta na parede e acende um cigarro.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

sobre carlos e os garotos da banda

Eu sempre torci demais pelo underdog. Em quase tudo. Quando me falam que Nico - Acima da Lei é o melhor filme do Steven Seagal, eu tenho que lembrar que aquele que ele baixa a porrada no William Forsythe também é muito bom. Quando vou ver jogo do Sereias da Vila, máxima potência do futebol mundial e sinônimo de entretenimento, contra o Asa de Arapiroca, eu torço pro Asa. Quando defendem o Axe Marine, eu tenho que lembrar que o Musk tem mais cheiro de construção. Eu gosto mais das 4 da manhã do que das 3, embora nem eu consigo encaixar uma metáfora nisso. E se eu não consigo encaixar uma metáfora é porque realmente não pode ser feito. Eu nunca gostei de carnaval mas sempre gostei de Touradas em Madri.


Claro que tem limite. Se o seu Beatle favorito é o George, você está fazendo algo errado. Quando ele não estava cagando os discos dos Beatles com aquela música oriental fast-food bosta do caralho, ele estava "ousando" no começo da carreira solo, fazendo música eletroacústica pra retardados. Você também não pode preferir o Marlboro Azul porque, francamente, aquilo é um erro da natureza. Mas voltando aos Beatles, nesse tipo de banda com mais de um compositor eu sempre prefiro o 'outro'. No Uncle Tupelo era o Jay Farrar pra mim, mesmo o Jeff Tweedy depois tendo formado uma das melhores bandas da história de tudo desde sempre, e mesmo ele tendo comido a mulher do Jay.


Por isso (não que eu saiba explicar qual a relação daquilo com o que vem a seguir, mas você certamente já leu coisas piores na internet) pra mim o Carl Barât é a alma do Libertines. Você discorda? Eu discordo de você discordar. Não é algo racional, algo que pode ser debatido. Você perdeu a discussão antes dela começar. O nome do Carl tem até acento no meio, e ninguém nunca acerta aonde. Libertines pra maioria das pessoas sempre foi sobre o Pete. Óbvio. Ele é espalhafatoso, ele comia meia europa ocidental e era comido pela metade oriental, ele fez as músicas mais famosas. Pra mim não interessa, eu defendo o Carl ao ponto que parece homossexualidade. Mas é por todos os motivos certos, não é também como se eu tivesse falando da voz do magrão do Circa Survive. "Mas é um tom impossível"! É o tom cagão na verdade.


Quando alguém vier te oferecer Schweppes Citrus, pergunte se não tem de pêssego. Seja chato. Não funciona muito bem pra mim, mas é solitário no topo. Sempre ouvi. Eu sabia que não devia ter começado outro parágrafo.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

sobre baratas, i'm sorry miss jackson e budweiser

Okay, intervalo. Tempo suficiente pra mijar, lavar as mãos pode ser um exagero, mas pra mijar com certeza deve dar. É só não me perder olhando as revistas de sacana... AAH, caralho, uma barata! Ainda bem que eu to de chinelo. Sinto muito.

- Espera bicho, não faz isso.
- AHM? Uma barata que fala.
- Acho que sim, instintos de sobrevivência. Por que tu me mataria? Eu te faria algum mal? Como eu poderia até te morder se eu não tenho uma porra duma boca? Quer dizer... Eu tenho uma boca? Barata tem boca?
- Bah, não sei, eu não ia nas aulas de biologia.
- Devia ter ido, toda nossa conversa seria mais fácil.
- Mas eu sei que barata não fala.
- Meu, nunca acredite na televisão, eu aposto que eles são naturais também...
- Que?!
- Esquece, ignora, minha mente... Tipo... Decolou um pouquinho, tu gosta de Weezer?
- Gosto, eu acho.
- Porra meu, eu curto. Eu tenho assistido Friends ultimamente, tem algo de errado comigo?
- Sim, tu é uma barata.
- Mundo esquisito, né? Certamente kafkiano. Kafka não é o nome duma comida árabe?
- Acho que sim, mas não tenho certeza.
- Eu comeria agora... Tipo... Um pão... Com sal, mel, queijo, canela, pimenta, pizza, chocolate...
- É, eu tava pensando em comer depois de mijar...
- Oh, o que vamos comer?
- O problema é que não VAMOS fazer nada... Escuta, eu não quero te matar, eu certamente me sentiria mal depois. Não que eu queira pagar de gostoso ou consciente, mas não gosto de matar qualquer forma de vida. Eu até tentei virar vegetariano.
- Mas planta também é um ser humano...
- Não, é um ser vivo.
- Isso, isso, ser vivo.
- É, mas planta não faz 'mú'.
- Então por que você ia me matar?
- Porque você não faz 'mú'.
- Mú.
- Tá, mas, na real, não sei... Honestamente não sei.
- E pensa, se tu me matar, quem vai falar contigo quando tu for mijar?
- Eu preciso de alguém falando comigo quando eu to mijando?
- Não, mas esse é o tipo de pergunta irrelevante. Você precisa botar alpino no pão de queijo? Não, mas fica delicioso.
- Não, não fica.
- Eu sou uma barata porra, eu entendo essas coisas.
- Quer um cigarro?
- Eu fumaria, meu nome é Fred e o seu?
- Fred?!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

sobre café, brasilis futebol clube e outras aberrações

Eu sempre tive medo de satã. Daquele jeito bem clichê. Eu estou deitado na cama, com meu pijama azul, estou assistindo Turma do Pateta na Globo. O clima fica pesado. Eu olho cautelosamente pros cantos. Eu ouço uma música, deixo o meu quarto com meu ursinho de pelúcia. Rodo a casa e não vejo ninguém. Volto pra cama convencido que estou maluco. Daí ele me ataca. E a próxima coisa que eu percebo é estar amarrado numa cama, vomitando em mim mesmo e girando o pescoço. Ou seja, estaria em Cabeçudas-ITJ. E isso que me dá mais medo.


Curiosamente, não sinto falta de ninguém do Rio de Janeiro. Absolutamente ninguém. Não sinto saudade dos rostos nem dos nomes. Mas eu sinto uma puta saudade do lugar em si, me bate uma nostalgia quando eu lembro de cada esquina. De cada condomínio lindo que tem na Barra da Tijuca. De como o Mandala era assombrado por ter sido construído em cima dum cemitério indígena. De como os dois shoppings abertos do Novo Leblon eram ótimos pra matar aula. Dos campos de golf no Golden Green, da praça de skate bizonha no Rosas, da praça no Atlântico Sul. O meu condomínio, o Alfa Barra, que tinha uma porra duma ponte, uma igreja e um clube. Os shoppings, cada um deles. Eu lembro de comprar Zeldão no Barra Garden, e anos depois de tomar café com uma puta ressaca de frente pra loja em questão. Quem tem nostalgia de gente tá fazendo algo errado consigo mesmo.


Até hoje eu gosto de metal. Gosto mesmo. Eu acho engraçado como alguém consegue levar a sério isso, mas a galera tem a tendência de levar tudo a sério. É tipo Criança Esperança com o Didi, como se o Didi lembrasse que porra é ser uma criança em primeiro lugar. Hoje tudo é sério demais. Se um padre estupra uma criancinha a galera fica toda revoltada e quer acabar com a Igreja Católica. Eu digo: calma senhores. A vida é boa. Não mande seus filhos pra serem coroinhas ao invés de escreverem teses enormes contra o celibatário. Tudo é muito apressado. Enquanto isso, Judas Priest segue sendo a música ideal pra se ouvir quando você está breaking the ló.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

a noite

Eu não sei como começar. Okay. Eu sei como é algo realmente promíscuo. Eu sei como é ficar cansada pelo banal. Acho que eu sempre tentei demais, talvez esse tenha sido meu problema. Eu nunca consegui sair muito da minha ótica, talvez isso que eu precisava. Você não se importa se eu fumar, né? Okay. Eu devia me apresentar antes de qualquer coisa, mas eu sempre achei tão trivial. E se minha identidade não for importante? E se eu não for o narrador, se eu for o personagem? Eu sempre tive medo de não existir, de ser um sonho de outra pessoa. Da minha realidade ser uma ficção tosca. Você pode me trazer um café? Depois? Sem problema, acho que eu deveria começar a falar do meu motivo de estar aqui.


Eu não sei porque quis sair de casa aquele dia. Eu botei uma blusa roxa que minha mãe me deu, e minha saia de final de verão. Eu nem botei maquiagem. Acho que eu estava tentando fugir de ontem, escapar pra uma praia distante e observar os amantes encarando o pôr do sol como se fosse algo novo. A cidade cheirava a desodorante barato, e em cada esquina eu via garotas sentadas dividindo salgadinho vagabundo. Eu tinha que entrar na praça, foi aonde começou. Ele pulou, socou minha nuca, eu cai no chão junto com tudo que eu acreditava até então. Você sabe o que é isso? É aquela experiência que muda a vida, que sempre te acerta quando tu menos espera. Ele rasgou minha saia, mastigou minha blusa, eu tentei até não conseguir tentar mais. E aí aconteceu, sabe.


Quando eu cheguei em casa, meus olhos estavam doendo. Eu roía minhas unhas desesperadamente, até que não havia nada além de carne sangrando. Minha cabeça era uma armadilha, eu não conseguia me mexer direito. Eu me abraçava tão forte que ainda consigo sentir meus braços me esmagando. Que porra eu tenho que fazer pra ganhar um café aqui? Se eu te deixar me dedar pra tu poder contar pro teus amigos tu me dá uma porra dum café? Eu lembro de me olhar no espelho e não reconhecer aquela imagem. Eu liguei pra minha mãe, me arrependi assim que ela falou de ir pra minha casa. Fazer o que? Eu não precisava de atenção, eu não precisava de alguém me deixando mais nervosa ainda. Impressionante como as pessoas em volta tem sempre o talento de se vitimizar na face da tragédia alheia. Vocês são a porra da audiência, não os atores. O sofrimento era meu, era só meu, e eu me agarrava nele com um egoísmo monstruoso. Era o que eu tinha. Eu me encostei na janela e me beijei até conseguir dormir.


Acordar foi estranho. Por todo o furacão que a noite foi, eu acordei calma. Eu tenho 27, nunca consegui muita coisa, certamente não me vejo conseguindo nada em qualquer forma de futuro. Por tudo, eu tenho a tendência de falar sozinha mais do que com qualquer pessoa. Quando você se perdeu faz tempo, todo absurdo parece menos absurdo. Tá, pode parecer uma forma leviana essa a minha de encarar isso. Mas quando você quiser falar, por favor, diga todas as formas que eu estou errada. Mas agora sou eu aqui. Ele não foi violento, sabe. Não foi como nos filmes, ou como imagino que deva acontecer normalmente. Em algum ponto eu podia jurar que estávamos conversando, isso faz qualquer sentido? Mas a partir daquela manhã minhas ações pararam de fazer sentido. Acho que eu não entendo a mente feminina, então não vou fingir que entendo. Vou direto pro ponto.


Eu comecei a ter todo tipo de impulso estranho. Eu passei a voltar todo dia de noite pra praça usando minha blusa roxa idiota que minha mãe comprou sem que eu tivesse pedido. Eu não prestava mais atenção em garotas comendo salgadinho, eu não prestava atenção em nada mais. Na verdade, isso é só um detalhe do que acontecia comigo. Falar estava foda, fingir qualquer interesse pela conversa dos outros estava mais delicado ainda. As pessoas olhavam pra mim como se eu tivesse fumando crack, como se eu tivesse alguma doença mortal. Aquela praça virou o único lugar conhecido pra mim, e eu sei que parece babaquice. Uma vez era de madrugada e meu telefone tocou. Eu atendi, e do outro lado não ouvi nada. Só uma respiração, mas não aquela respiração clichê de filme, e sim uma leve sugestão de que alguém estava ali. Posso ser louca, mas eu sabia que era ele. De alguma forma tinha que ser ele. E eu só fiquei ali. Sentada. Sem falar nada também. Na minha frente tinha um espelho, eu me olhei ali jogada com o telefone no ouvido. Como se tivesse aprendido algo. Mas o que tem pra aprender? Quem é alguém pra me dizer que aquilo era errado? Eu só fiquei ali.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

sobre cabeludos

Segue abaixo um questionário simples pra responder que tipo de cabeludo você é.

1- Quem você gostaria de ser:

a) índio bombado
b) havaiano bombado (AKA um índio surfista)
c) ninja monge
d) cowboy bêbado
e) xuxa meneghel

2- Guitarra foi feita pra ser tocada:

a) sentado
b) em pé
c) em pé balançando o cabelo
d) em pé balançando o cabelo tomando whiskey no gargalo e peidando tudo ao mesmo tempo
e) caralho brother, buceta!

3- "Born To Be Wild" é:

a) foda
b) farofa
c) foda e farofa
d) 55 frango frito de ladinho é esquisito
e) *arroto*

4- Música sem progressão harmônica merda de blues é:

a) barulho
b) desperdício do meu tempo
c) coisa da minha irmã
d) viadagem
e) ave satani sanguis minimus corpus animus tolle corpus satani!!!!

5- Se você tivesse que escolher só um cd do Iron:

a) Piece of Mind
b) Number of the Beast
c) Powerslave
d) Seventh Son of a Seventh Son
e) impossível

6- Você vai acampar, de comida você leva:

a) feijoada enlatada
b) miojo
c) trakinas de limão
d) nada, come lesma mesmo
e) sua mãe

7- Seu vizinho está ouvindo Interball, o que tu faz:

a) baixa a porrada
b) baixa a porrada
c) baixa a porrada
d) baixa a porrada
e) tu não tá entendo, qualquer coisa que ele faça eu baixo a porrada

8- Aperitivo é:

a) torresmo
b) cabeça de bode
c) macarrão com porco
d) satan
e) xuxa meneghel

9- O cd novo do Angra:

a) tá ruim
b) tá igual aos anteriores
c) tá igual aos anteriores, mas se os anteriores são muito bons esse também é
d) tá igual aos anteriores, mas tu tem que ver que o vocal do sebastian bach, e aquele cabelo, e...
e) preciso cagar

10- Quanto tempo você está sem fazer sexo:

a) três semanas e é meu recorde
b) três semanas e eu nem sei o que tá acontecendo
c) três semanas mas hoje vo comer uma gótica gordinha
d) três semanas mas da última vez também foram 3 ao mesmo tempo
e) três semanas e tá doendo tudo brother


11- Megadeth ou Metallica?

a) megadeth
b) metallica
c) zezé di camargo e luciano
d) havaiano bombado
e) metallica com orquestra sinfônica

12- Sua camisa velha do Slayer é:

a) nostalgia pura
b) massa pra caralho
c) boa pra cantar as vagabunda
d) minha infância
e) metallica

13- Sexta-feira é dia de:

a) comer mulher
b) jogar RPG
c) assistir um cover merda de chuck berry e elvis
d) ficar em cabeçudas
e) cara, o que tu tem contra kisla?

14- Por qual nome você se refere ao cigarro, sendo que aparentemente é bem difícil falar simplesmente "cigarro":

a) prego
b) câncer
c) fedorento
d) motherfucker
e) kisla lemon gold


15- Televisão, você assiste:

a) WooHoo
b) TruTV
c) PlayboyTV
d) Sons of Anarchy
e) VH1 quando tá passando That Metal Show

16- Música erudita é:

a) bonito
b) chato
c) metallica
d) libera o mosh
e) eu gosto de chorinho

17- A melhor maneira de curtir um blues é:

a) tomando um whiskey puro
b) tomando absinto
c) jogando joguinho em flash
d) peidando
e) é fisicamente possível curtir um blues?

18- Seu gato tá ronronando:

a) pontapé no focinho
b) bota ele no forno
c) taca ele na parede
d) enfia ele na entrada de cd do computador
e) leva pra jogar rpg contigo e chama ele de grande mestre

19- Loira ou morena:

a) loira
b) morena
c) ruiva
d) careca
e) metallica

20- Pra terminar, o que podemos esperar de 2012:

a) o mundo vai acabar, mas não se preocupe eu fiz uma apostila
b) eu acho que vai inundar tudo e a gente vai ter que viver em árvores, aonde todos nós seremos chamados de beverly
c) o woohoo vai sair do ar
d) o blind guardian vai lançar material inédito, oremos!
e) eu vou cortar o cabelo

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

sobre fleet foxes, insônia e aonde os cabeludos vêm pra morrer

Tem um disco que eu acho subestimado mesmo sendo mais amado que o vídeo da Mônica Mattos dando prum anão. O auto-intitulado do Fleet Foxes, lançado em 2008, foi importante demais por motivos que vão além da música. Ou por motivos complexos demais que pela sua natureza não existiam, mas acabam de ser inventados. Algo assim.


O debut desses barbudos é um disco de folk. E nós vivemos numa década aonde é cada vez mais raro algo ser folk. Cada vez mais existe o fenômeno do "viado tocando música triste sozinho no violão" sendo chamado de folk. Folk é, como o nome deixa meio claro, música folclórica, e não no sentido bumba-meu-boi da coisa. É som que teoricamente se toca numa roda em torno duma fogueira, madrugada adentro, e quando tudo fica cansado demais as pessoas podem cair umas nas outras e assistir o sol nascendo. Ou um Steven Seagal, o que vier primeiro.


Folk tem um clima que não pode ser posto em palavras, por isso estou me embabacando aqui. O primitivismo americano instrumental do John Fahey contava histórias pra quem quisesse ouvir. Mesmo em casos como Bob Dylan e Nick Drake você consegue ver traços de folk, embora filtrados por uma ótica autoral bem individual em ambos os casos. "Ótica autoral", isso faz qualquer sentido? Foda-se, agora vai ficar. Não é como se esse texto não estivesse meio chato em primeiro lugar.


Fleet Foxes é folk. É um caso bem raro de música que consegue soar retrô sem ser palhaçada. É som de acampamento, e no sentido bom da palavra, não no sentido de um cabeludo pegar o violão e tocar "Born To Be Wild". Fleet Foxes é importante por lembrar um gênero musical que estava sendo assassinado por uns caras que abusavam da coisa pra comer todo mundo. Deus abençoe esses barbudos assustadores.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

sobre fang island, judão, e a igreja universal do reino do ROCK

O pastor Silas Malafaia tirou meu sono essa noite. Ele estava gritando. Ele estava puto. Ele ia falar de DEUS pra quem quisesse e especialmente pra quem não quisesse ouvir. Engraçado como isso é estranhamente próximo do Heavy Metal. Eu sempre aproximo a Igreja Universal do Reino de Deus com qualquer banda de metal. Não sei nem explicar. Simplesmente faz sentido na minha cabeça, se bem que eu estou meio incoerente hoje. Por que? Porque o pastor Silas Malafaia tirou meu sono.


Ele disse que nós precisamos sonhar, mas também precisamos trabalhar pelo sonho. Isso não fez sentido algum porque ele estava usando a gravata mais feia da história. Eu tenho uma dificuldade monstruosa de respeitar quem usa uma gravata que parece aquela embalagem de camisinha de posto. Eu fugi do meu quarto, era umas 5 da manhã, algo assim. Fui na janela e vi meu vizinho cabeludo falando com outros amigos igualmente cabeludos. Meu primeiro impulso foi jogar um ovo. Meu segundo também.


Eu encho meu computador com vírus procurando estágio. Estranho que eu só acho vaga de atendente de sauna, o que não faz muito minha cabeça. Acho que nesse ponto eu preciso definir um futuro, e dificilmente eu teria um no ramo de sauna. Eu tenho 21 cara, estou provavelmente na metade da minha vida e ainda não sei o que fazer dela. Meu guru espiritual só achou o que fazer com 33, e acabou virando professor da UFRJ. Eu não quero demorar tanto, quero poder já estar tendo crise de meia idade nessa época.


Tenho medo por ainda não ter encontrado bem o que fazer. Mas fico feliz de não ter medo desse medo. O pastor Silas Malafaia tirou meu sono, eu tive que levantar e ouvir Judas Priest.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

sobre kiss não ser engraçado

Eu acordei. Minha porta gritava uma claridade que não fazia o menor sentido. Na sala, minha mãe gritava que fulana ia sair no BBB. Eu não sei quem é fulana, achei informação demais. Tudo é informação demais, minha cabeça está grávida. Eu olho a claridade em baixo da minha porta. É uma música sem ritmo, e sim, eu e minhas metáforas sem sentido. Eu e cada coisa que não faz sentido sobre mim. Mas não é sobre mim. Nem sobre a claridade. Nem sobre BBB.


Chove na minha cidade. Eu perambulo do meu quarto até a cozinha. Meu cachorro me late sorrindo, mas eu não tenho tempo pro non sequitur cotidiano. Não não. Não hoje. Hoje meu dia está musical, eu ouço qualquer coisa e acho lindo. Ligo no Faustão e rio das video-cassetadas. Ligo na Band e acho os comentários do CRAQUE NETO profundamente incisivos. Eu escuto Blind Guardian e balanço a cabeça falando pra mim mesmo 'bah, que foda ein'. Hoje eu estou totalmente parcial.


O disco que eu mais ouvi na vida foi o Music for Aiports do Brian Eno. Eu sou um cara esquisito. Tem algo ali que sempre me acalma, sempre deixa tudo parecendo tão mais simples. Meus medos vão embora. E eu não sou normalmente a pessoa que é habitualmente otimista, mas sou eu que estou falando agora. Music for Aiports não sai da minha cabeça.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

sobre intervalos, synth pop e longas caminhadas na praia

Tempo. Tempo te deixa ansioso quando o tempo está acabando. Tempo te vicia na noção de distância que o tempo cria. Tempo transforma pessoas em deuses, erros em acertos, picolé de uva em algo gostoso. Tempo arranha teu corpo, te deixa marcas de cada noite que você passa fritando na cama querendo só que o tempo passe. Tempo te deixa maluco pensando em por quanto tempo o tempo vai se enrolar. Tempo faz os detalhes derreterem numa única imagem sem forma, num retrato sem ninguém. Tempo é a tensão de esperar, sentado perdido numa sala vazia. Tempo é o espaço entre a metáfora ruim e a ausência de sentido.


Eu fingi dormir. A temperatura do meu ar apontava 18 graus. Inventei sonhos. Tempo demais, e ainda assim estou sempre atrasado.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

sobre convidados especiais

 
Olá, meu nome é Nelson Ned, e eu estou aqui fazendo uma participação especial nesse espaço pra divulgar algo muito importante. Gente, o que aconteceu com o boquete? Nos anos 70 isso era uma arte fina, as mulheres se debruçavam loucas e maravilhadas tentando proporcionar o máximo de prazer possível. Hoje é tudo mais correto, você tem que FALAR com a mulher? Daqui a 10 anos vamos ter que falar com cachorros? Não me entendam errado, eu nas minhas caminhadas pelos caminhos tortuosos da vida encontrei meu Jesus salvador, e eu certamente não andei tudo isso e vivi tudo isso pra compartilhar com uma fêmea. Pra tratar melhor desse assunto, eu trouxe um renomado especialista na área.




Bom dia pra vocês, e olha, eu tenho que concordar com você Nelson. Nos bons e velhos tempos, você podia divagar enquanto a mulher falava. Sim, era compreensível seu limite de atenção não chegar nos papos sobre detergente e vibradores em formas de vaquinha. Agora temos que ouvir tudo. E depois daquela corrida na praia, com direito a um mergulho no mar, chegamos em casa loucos pra fuder, e olha que essa é a hora que a alma do homem delira, e a garota pede pra que tomemos um banho antes. Onde já se viu uma coisa dessa? E aí se você dá a resposta que merece, um tapa de mão aberta no pé da orelha, somos presos na tal lei não sei quem da Penha. Que se foda a Penha, o que isso tem a ver com qualquer coisa? Só minha singela opinião.
Okay, obrigado pela participação, e quero agradecer ao dono desse blog também por me abrir espaço aqui. É difícil achar espaços na internet que estejam interessados na visão de um HOMEM DE VERDADE. Agora todo mundo dá a bunda, paga peitinho na webcam, ou se masturba assistindo Rei Leão quando não tem ninguém olhando. O romance se perdeu, eu me sinto mais por fora do que o cu da Mônica Mattos. Por isso que eu digo: Mulher, menos papo, mais tempo chupando picolé pra aprender o fino da bossa. Obrigado Jesus!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

sobre minha gaveta, interpau e outras patifarias

Eu me lembro de tudo. Eu me lembro de estar sentado na frente do shopping com a estátua falsa lá no Rio de Janeiro, tomando um raro vento no rosto, desejando estar em casa tomando um comum ar condicionado no rosto. Eu me lembro de comê-la no chuveiro, o que eu podia fazer? Eu me lembro dos barulhos que a gente disfarçava, de cada filme que nunca terminamos de assistir. Eu me lembro de cada coração partido, cada promessa morta, cada segundo que eu inventei. Eu me lembro de de estar sozinho em casa, e quão bom no fundo é estar sozinho. Eu me lembro de vender minha alma incontáveis vezes porque eu não aguentava mais ficar sozinho. Eu me lembro dela me seguindo por cada lugar que eu fosse, e dela fudendo com um amigo meu. Eu me lembro de todos meus revanchismos, minhas ameaças de morte, meus instantes de ódio sagrado. Tá, isso já foi longe demais.


Esses dias eu tive que procurar um fone de ouvido que funcionasse e assim fui mexendo em cada gaveta do meu quarto. Uma em especial tem tudo. Cada coisinha guarda uma memória. Não que eu seja nostálgico, não sou, certamente tenho saudade de pouquíssimas das coisas representadas pelas tralhas que eu achei. Mas ainda assim é um giro. Sinto-me velho, no meio do caminho entre ter medo de tomar remédios e ter que apelar pra pílula azul. Eu na verdade torço pra ficar careca só pra poder usar peruca ou chapéu de cowboy. Torço pra chegar o futuro aonde fique distorcido as épocas, dizer que eu vivi a beatlemania. E todas as crianças do futuro vão acreditar, com seus cérebros derretidos de tanto assistir Pokermon, desenho aonde monstros vão frente a frente num emocionante duelo de cartas. Eu vi o futuro meus caros, e parece um filme ruim do Jackie Chan. Ou pelo menos é o futuro que vale a pena ver.


Essa é aquela parte no texto aonde eu deveria ter alguma moral pra soltar. Uma idéia, um conceito, uma inovação. Tipo "Pangarés, inovadora banda do HC nacional". Que porra é inovar? E que porra é uma idéia? Pra mim sempre foi um conceito duma inovação, mas aí que está o problema. Se você pegar um melão e enfiar no pau tu não vai estar batendo punheta dum jeito sacana. Tu vai estar com um melão no pau. Eu não consegui estabelecer a analogia tão bem quanto o esperado, mas acho que o que eu quero dizer é o seguinte: Foda-se você que tem idéias. Você cria algo na sua cabeça na esperança de ser profundamente original, mas no mínimo o Jão de Bombinhas-SC deve ter pensado nisso de manhã enquanto estava cagando. E quando você começa a pensar que nem Bombinhas-SC, corre pras colinas que fudeu. Eu já falei que tem um canal na sky que está passando O REI DO GADO? Eu vou falar isso bastante ainda.


Então meu texto não tem moral. Eu não tenho a menor idéia de nada. Eu não crio conceitos, eu conceitualizo pra quebrar o tédio. E inovação seria fácil demais. Eu lembro do idiota querendo me convencer que minha vida estava indo pro caralho porque eu não estava indo tão bem na faculdade. Aplauso, delírio geral, mas no final a piada não está em mim. Eu sei o que eu sou, e isso não é muita coisa. E você? Você é o cara com o melão no pau, se negando a enxergar o óbvio, ou seja, que uma melancia seria bem mais prazeroso, pra não dizer higiênico. É o que me falaram ao menos. Não que eu tenha experimentado. Não que eu tenha descartado também, eu gosto de manter as opções em aberto. Talvez eu tenha ido longe demais, parágrafo por favor.


Eu me lembro de tudo. Minha cabeça vive chutando os cantos mais obscuros da minha vida bem no meu nariz. E eu estou feliz por achar tudo que eu achei. Cada coisinha me lembra de largar mas nunca desistir. De abaixar minha cabeça mas nunca abaixar outra coisa. De perder meus amores, mas nunca perder meu amor. Esse tipo de pseudo-filosofia de vida que provavelmente sou eu analisando demais aonde não existe nada. O que não seria novidade. Mas eu certamente quero viver pra encher mais essa minha gaveta. Com fotos de peitinhos, evidentemente.