Eu me lembro de tudo. Eu me lembro de estar sentado na frente do shopping com a estátua falsa lá no Rio de Janeiro, tomando um raro vento no rosto, desejando estar em casa tomando um comum ar condicionado no rosto. Eu me lembro de comê-la no chuveiro, o que eu podia fazer? Eu me lembro dos barulhos que a gente disfarçava, de cada filme que nunca terminamos de assistir. Eu me lembro de cada coração partido, cada promessa morta, cada segundo que eu inventei. Eu me lembro de de estar sozinho em casa, e quão bom no fundo é estar sozinho. Eu me lembro de vender minha alma incontáveis vezes porque eu não aguentava mais ficar sozinho. Eu me lembro dela me seguindo por cada lugar que eu fosse, e dela fudendo com um amigo meu. Eu me lembro de todos meus revanchismos, minhas ameaças de morte, meus instantes de ódio sagrado. Tá, isso já foi longe demais.
Esses dias eu tive que procurar um fone de ouvido que funcionasse e assim fui mexendo em cada gaveta do meu quarto. Uma em especial tem tudo. Cada coisinha guarda uma memória. Não que eu seja nostálgico, não sou, certamente tenho saudade de pouquíssimas das coisas representadas pelas tralhas que eu achei. Mas ainda assim é um giro. Sinto-me velho, no meio do caminho entre ter medo de tomar remédios e ter que apelar pra pílula azul. Eu na verdade torço pra ficar careca só pra poder usar peruca ou chapéu de cowboy. Torço pra chegar o futuro aonde fique distorcido as épocas, dizer que eu vivi a beatlemania. E todas as crianças do futuro vão acreditar, com seus cérebros derretidos de tanto assistir Pokermon, desenho aonde monstros vão frente a frente num emocionante duelo de cartas. Eu vi o futuro meus caros, e parece um filme ruim do Jackie Chan. Ou pelo menos é o futuro que vale a pena ver.
Essa é aquela parte no texto aonde eu deveria ter alguma moral pra soltar. Uma idéia, um conceito, uma inovação. Tipo "Pangarés, inovadora banda do HC nacional". Que porra é inovar? E que porra é uma idéia? Pra mim sempre foi um conceito duma inovação, mas aí que está o problema. Se você pegar um melão e enfiar no pau tu não vai estar batendo punheta dum jeito sacana. Tu vai estar com um melão no pau. Eu não consegui estabelecer a analogia tão bem quanto o esperado, mas acho que o que eu quero dizer é o seguinte: Foda-se você que tem idéias. Você cria algo na sua cabeça na esperança de ser profundamente original, mas no mínimo o Jão de Bombinhas-SC deve ter pensado nisso de manhã enquanto estava cagando. E quando você começa a pensar que nem Bombinhas-SC, corre pras colinas que fudeu. Eu já falei que tem um canal na sky que está passando O REI DO GADO? Eu vou falar isso bastante ainda.
Então meu texto não tem moral. Eu não tenho a menor idéia de nada. Eu não crio conceitos, eu conceitualizo pra quebrar o tédio. E inovação seria fácil demais. Eu lembro do idiota querendo me convencer que minha vida estava indo pro caralho porque eu não estava indo tão bem na faculdade. Aplauso, delírio geral, mas no final a piada não está em mim. Eu sei o que eu sou, e isso não é muita coisa. E você? Você é o cara com o melão no pau, se negando a enxergar o óbvio, ou seja, que uma melancia seria bem mais prazeroso, pra não dizer higiênico. É o que me falaram ao menos. Não que eu tenha experimentado. Não que eu tenha descartado também, eu gosto de manter as opções em aberto. Talvez eu tenha ido longe demais, parágrafo por favor.
Eu me lembro de tudo. Minha cabeça vive chutando os cantos mais obscuros da minha vida bem no meu nariz. E eu estou feliz por achar tudo que eu achei. Cada coisinha me lembra de largar mas nunca desistir. De abaixar minha cabeça mas nunca abaixar outra coisa. De perder meus amores, mas nunca perder meu amor. Esse tipo de pseudo-filosofia de vida que provavelmente sou eu analisando demais aonde não existe nada. O que não seria novidade. Mas eu certamente quero viver pra encher mais essa minha gaveta. Com fotos de peitinhos, evidentemente.
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