"Acorde", ela gritou. Eu estava voltando pela rua, tentando lembrar de onde estava vindo. Perdido numa multidão sem conseguir levantar meus olhos, eu não sei porque eu estou aqui. Aponto meu dedo pra um milhão de pessoas, o vento não cessa de me levar em círculos. Interrupção.
Minha cabeça estava na grama, abri os olhos e várias pessoas me cercavam rindo. Dormir numa festa já foi mais respeitado. Mas o problema é levantar sem direção. Pessoas estavam dançando, não havia música. Havia alguma alegria que não foi necessariamente compartilhada comigo, eu comecei a me sentir trágico. Como a música, sabe. Comendo minhas unhas de almoço, voando por meus cigarros, um por um. Um por um. Eu quero me encontrar de novo. Fugir pela praia, achar o tal lugar secreto aonde ninguém gosta de musical. Aonde ninguém acha que ninguém conhece os Beatles. Quão burro sou eu?
Ela perguntou se eu lembrava de onde estava. Eu disse que essas coisas não se esquecem, "substitua minha memória irrelevante com algo que eu goste de lembrar". Ela chorou. Seu rosto se desfigurou. Começou a sumir. Eu sonhei com minha mãe sendo estuprada, ele me forçou a assistir. Não consegui encarar a manhã. Tire meus medos.
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