domingo, 26 de junho de 2011

sobre melancolia e melancia

Existe uma dor no meu estômago pra cada soco que não foi dado. Existe uma lamentação no meu coração pra cada beijo que foi desperdiçado. Até aqui, né. Até aqui... E em minha mente cada memória não vivida, cada impacto não sentido. Em cada passo da minha vida, cada briga ausente sem sentido.


Queria fazer uma ficção sobre cada despedida perdida. Existe algo de estranho em cada drama de garoto rico incompreendido, talvez seja tarde demais pra perder a cabeça nisso. Hoje é só o amanhã que me preocupa. Não há um adeus pro meu olá, ou talvez só eu percebo essas coisas. Só eu vejo o detalhe minúsculo. Sobre como dor não é algo físico, não existe linearidade na agonia. Os fogos de artífico na grama molhada aonde eu fiz tantos planos, o que aconteceram com vocês?


Na TV passava um filme grosseiro sobre um molusco gigante assassino, e um dos mocinhos se salvou numa prancha de surf. Eu sempre achei surf tão idiota. Como eu sou o mais idiota de todos, eu tenho uma certa dificuldade em apreciar a idiotice alheia. Talvez esse seja meu problema. Talvez meu problema foi não ter tentado ir pra dança. Ou talvez seja minha eterna necessidade de focar na falta de foco. Perguntei pra minha mãe como eu estava. Ela disse:


- Garoto, você conseguiu. Arrume um novo coração pra se quebrar, porque seu velho não tem mais pedaços.

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