Okay, nosso querido Rodrigo Nascimento foi cobrir um show de Jazz. O resultado foi isso.
Assistir a uma apresentação de Keith Jarrett é presenciar uma fusão total entre homem e máquina, artista e meio.
Bacana. Assistir um filme de zoofilia é presenciar uma fusão total entre mulher e jegue.
Tanto que, em alguns momentos do recital de quarta-feira à noite, na Sala São Paulo, não era possível discernir se era Keith que tocava o piano, ou o piano que tocava Keith.
Aaah meu, se tu usasse uma metáfora mais clichê de jornalismo musical merda tenho certeza que ia abrir um buraco negro que engoliria a galáxia.
Pouco depois das nove horas, a sala escureceu. Keith subiu ao palco, agradeceu os aplausos e curvou-se sobre o seu amigo para ouvir o que ele tinha a dizer.
Vou supor que seu amigo é o piano. Vou super também, por entretenimento, que o Keith Jarrett é esquizofrênico e passa seus dias conversando com o doutor Piano e a professora Janela.
O primeiro segredo revelou uma série de fragmentos harmônicos que Keith colheu e espalhou feito pólen pela sala.
Eu vejo o cara escrevendo esse trecho. Ele digita algo na sua máquina de escrever retrô, olha bem e percebe que aquilo não fez sentido nenhum. Inexplicavelmente, ele pensa "é, tá ótimo", e fecha seus olhos pra ter delírios com o som de bucetas pingando pelo seu gênio.
O final de uma frase dava início a outra, como nuvens que se fazem e desfazem rapidamente em uma noite enluarada: o silêncio, ou a escuridão do céu, é a única constante.
Porra, o céu está escuro ou enluarado? Decida-se caralho.
O programa, inteiramente improvisado, revelou a versatilidade do pianista. É uma viagem, mais como uma refeição de oito ou nove pratos, servidos por um chef confiante em sua alta culinária.
Um set improvisado SEMPRE vai revelar versatilidade de quem o estiver performando. É meio que o ponto da coisa. E outra, você fez esse texto completamente EMACONHADO, né? Vou reescrever a segunda frase como o autor provavelmente deve ter inicialmente pensado:
É uma viagem, mais como uma larica de oito ou larica, servidos por um rato falante confiante em sua coxinha de posto enrolada com presunto.
Pronto.
Por quase duas horas, Keith transitou pelo blues, o folk, o free jazz e o erudito, mesmo que seu gênero só possa ser classificado como Keith Jarrett.
Então qual o sentido de citar os gêneros anteriores?
A segunda peça na sala São Paulo mostrou o lado mais visceral da conexão entre músico e instrumento.
Ele quebrou o pinto tentando meter numa das teclas?
Quando tocava algo que lhe inspirava, se erguia em posição de homo erectus e gemia do fundo da alma, como se o piano fosse seu amante, um gesto repetido em todos os improvisos ritmados da noite.
Caralho, eu vou sonhar tão errado essa noite.
O ar de suas improvisações é rarefeito, e o ingrediente suingue, como a feijoada da senzala, seria muito explícito em seu banquete.
Isso é muito ruim.
Exceto por uma brilhante improvisação atonal na segunda parte, em que criava uma tempestade silenciosa com tanta calma que era capaz de botar um nenê para dormir,
Isso era pra ser um elogio? Por que tu não para com a indireta e chama o show de chato logo?
Agradou o público com uma de suas viagens de acordes simples e sinceros, que remetiam ao tipo de improviso do lendário Koln Concert, de 1975.
O público acordou?
Esboçou humor quando disse: "Vocês podem tossir agora", uma referência à fama que o músico tem de encerrar suas apresentações por causa de gargantas inquietas. Mas não foi o suficiente para conter a jequice de alguns fãs.
"Vocês podem tossir agora" não foi bem jegue em primeiro lugar?
Quando voltou para o bis, Keith pediu cinicamente para o público tirar todas as fotos que quisesse e parar quando ele estivesse tocando. Os flashs continuaram e Keith terminou a metade do bis, levantou e foi embora para não voltar.
Em outras palavras, menos profissional que isso só esse texto merda.
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