sábado, 26 de março de 2011

sobre ressaca, bolo de fubá com limão e jay jay o jatinho

Se eu pudesse morrer e voltar diferente eu queria fazer parte da banda Poison. Queria ter aquele cabelo. Ou ser o cara do Miami Vice. O que aconteceu com os ternos roxos? Por que aquilo saiu de moda? Por que hoje é impossível sair de casa sem ver a cueca de alguém? Eu queria ser figurante do Pretty In Pink. Queria ter aprendido a tocar teclado na época do Europe. Queria poder fazer maquiagem do KISS sem a galera achar que é corpse paint. Se eu fosse negro eu arrombaria agora a geladeira e comeria tudo que tem lá. Porque eu queria ser igual ao Barry White. Mas eu sou só um garoto branco randômico. Eu gosto de Natural Snow Buildings, filmes do Woody Allen, baseball e macarrão com almôndega. Acredito em pouquíssimas coisas. Eu não sou o cara que come as gurias com fotos de espartilho. Eu nunca sou.


Queria que ninguém usasse sunga. Que ninguém tivesse barba já que eu aparentemente sou incapaz de ter alguma. Queria poder assistir Fórmula 1 comendo chambinho. Chambinho se come ou se toma? Ah, o sofrimento do homem moderno. Eu costumava a ter perguntas mais interessantes, mas os sonhos me deixaram maluco. Acho que todo guri gordinho agora quer ser o Zangief Kid. Ou um cheddar mcmelt. Eu não. Eu quero ser o Cauby Peixoto, só que heterossexual. Ouvi dizer que ele faz mó sucesso em bailão, e deve ter umas milfs. Queria pegar o violão e não fazer um acorde gay. Queria que fosse um black metal. Um drone. Um eletrogode com tendências a travanejo. Queria saber terminar meus parágrafos.


O mais importante, na verdade, era dar um jeito de não falar tão sozinho. Se meu tamagoshi não tivesse morrido afogado na banheira eu seria mais feliz. Eu queria ouvir Yndi Halda, mas puta que pariu aquelas músicas tem 90 mil minutos. Meu limite de atenção não chega lá. Eu nasci pros singles. Queria ser o tecladista da RPM. Aprender a chutar com o Steven Seagal. Queria ser mais violentamente romântico. Ora mas pior seria se pior fosse.

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