terça-feira, 29 de março de 2011
sobre insônia
Se importa se eu divagar? Se eu falar até me por pra dormir? Eu acendi um cigarro e fechei meus olhos. A luz no apartamento de baixo acendeu, eu tenho medo de todo mundo. Eu não me lembro dos lugares nem dos nomes, mas eu certamente me lembro das pessoas. Foi uma noite assim, a luz do apartamento de baixo também acendeu. Ela estava encarando o ventilador, e o reflexo da lua batia em seu corpo. Minha alma pornografia! E o que aconteceu com aquela garota? Engraçado como a distância pode ser distante. Acho que os navios sempre desaparecem, mas o horizonte é uma constante. Ele vai estar lá quando tudo for esquecido. E sim, eu andei bebendo, enquanto tento segurar os navios com meus olhos, lutando contra as lágrimas.
Meu cigarro quase queimou meus dedos. Eu vi tudo, eu já vi tudo pela janela do meu quarto. Cada fantasia mongol. Cada delírio impossível. Cada garota de espartilho que passou. Eu já vi tudo faz tempo. Mas a mera menção de qualquer coisa me faz tremer. De vestido, você está encarando de volta pra mim. Eu me lembro de você vomitando nas suas roupas. O vento ainda ecoa cada um desses momentos. Logo. Logo...
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