domingo, 15 de abril de 2012

gloomy sunday

As imagens no meu cérebro me perseguem como uma maldição. Meus olhos nunca saem daquilo que não vi e que ainda assim me cega num oceano de lágrimas. Cada centímetro do meu corpo lateja ao erguer a cabeça pro céu sem saber todos os nomes de Deus. Meu coração encolhe e expande sem proporção alguma, fugindo em batidas pelo meu peito. Minha boca se odeia, contorce em nervosismo e terrores de inutilidade. Meus dedos tremem em seu crescimento, sempre soando ritualisticamente no teclado. No meu estômago há algo que não foi feito pra ser digerido, há um corpo estranho, irreconhecível, terrível, cruel. Minha garganta contrai em tentativas de me enforcar, sempre testemunhando meus gritos inaudíveis. Minha perna arde, como uma lembrança instantânea do pesadelo da minha noite. Minha pele rasgada por lobos está feia e idiota e desprezível e envelhecida. Meus sonhos não trazem nada além da tristeza em sua improbabilidade. Meu choro se repete sem que eu perceba, meu rosto se contorcendo em formas tão medonhas quanto aquilo que sinto. Minha voz não sabe mais rir, só se perder em eternas lamentações fast food. Meus sentimentos se misturam em um só, na dor mais estúpida possível. Meus clamores derretem em sua frugalidade lamentável, em uma solidão que não me deixa. Minhas noites se transmitem perdidas, idiotas, esquecidas.

Minhas palavras não conseguem chegar nem perto do quanto dói.

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